
O número de mortes por meningite continua diminuindo no mundo, mas em um ritmo inferior ao esperado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). É o que aponta um estudo publicado na revista científica The Lancet Neurology, considerado a análise global mais abrangente já realizada sobre a doença.
A pesquisa utilizou dados de 2023 do Global Burden of Disease Study (GBD) e avaliou 17 agentes causadores da meningite. Apesar dos avanços proporcionados pelas campanhas de vacinação, os pesquisadores alertam que o mundo está distante da meta da OMS de reduzir em 70% as mortes pela doença até 2030, em comparação com os números registrados em 2015.
Em 2023, a meningite causou cerca de 259 mil mortes em todo o mundo. Em 2015, esse número era de aproximadamente 300 mil, o que demonstra uma redução considerada insuficiente para atingir os objetivos estabelecidos pela organização internacional.
A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo ser causada por vírus ou bactérias. Em 2023, foram registrados mais de 2,5 milhões de novos casos da doença em todo o planeta. Crianças menores de cinco anos continuam sendo o grupo mais vulnerável, representando mais de um terço das mortes registradas.
Entre os principais sintomas estão febre, dor de cabeça intensa e rigidez na nuca, considerada um dos sinais mais característicos da doença. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para reduzir o risco de complicações graves e de morte.
Especialistas apontam que a desaceleração na redução dos óbitos está relacionada ao surgimento de variantes não cobertas pelas vacinas atuais, ao aumento proporcional das meningites virais e às desigualdades no acesso à vacinação em diversos países.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente vacinas contra as principais bactérias causadoras da meningite. No entanto, a cobertura vacinal ainda permanece abaixo da meta recomendada pelo Ministério da Saúde. Em 2025, a vacinação contra o meningococo alcançou 90,7% do público-alvo, abaixo dos 95% considerados ideais.
O estudo também identificou fatores que aumentam o risco de morte pela doença, como baixo peso ao nascer, prematuridade, poluição do ar em ambientes domésticos e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Além disso, os pesquisadores alertam que o uso indiscriminado de antibióticos favorece o surgimento de bactérias resistentes, dificultando o tratamento da meningite bacteriana.
Com informações de Metrópoles







