
Um estudo clínico apresentado na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, em Londres, indicou que uma formulação medicinal à base de THC e CBD pode reduzir a agitação em idosos com demência em estágio avançado. A pesquisa, chamada LiBBY (Benefícios do canabidiol e tetraidrocanabinol no fim da vida), envolveu 120 pacientes, com idade média de 80 anos, diagnosticados com doença de Alzheimer ou outras formas de demência e que recebiam cuidados paliativos.
O ensaio foi realizado pelo método duplo-cego, em que nem os participantes, nem os cuidadores e nem os pesquisadores sabiam quem recebia o medicamento ou o placebo. Ao longo do estudo, os cuidadores administraram a formulação e avaliaram o comportamento dos pacientes por meio de escalas padronizadas de agitação e de impressão clínica global.
Resultados são promissores, mas exigem novos estudos
Após duas semanas de tratamento, o grupo que recebeu a formulação de THC e CBD apresentou redução significativa da agitação, com melhora de 6,27 pontos na escala utilizada pelos pesquisadores em comparação ao grupo placebo. O benefício permaneceu após 12 semanas de acompanhamento.
Na avaliação clínica do comportamento, entre 83,9% e 87,2% dos pacientes tratados apresentaram melhora da agitação, enquanto no grupo placebo esse percentual variou entre 23,6% e 30,5%.
Os pesquisadores também observaram que a frequência de efeitos adversos, como infecções e distúrbios gastrointestinais, foi semelhante entre os grupos tratado e placebo, sendo considerada compatível com a idade e as condições clínicas dos participantes.
Apesar dos resultados positivos, os autores ressaltam que a formulação utilizada no estudo é um medicamento desenvolvido especificamente para pesquisa e não corresponde aos produtos de THC e CBD disponíveis comercialmente. Eles destacam ainda que serão necessários novos estudos para confirmar a eficácia e a segurança do tratamento antes de uma eventual adoção mais ampla na prática clínica.
Com informações de Metrópoles







