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A creatina é um dos suplementos mais utilizados por atletas e praticantes de atividade física devido aos seus benefícios para força, desempenho e recuperação muscular. Nos últimos anos, porém, ganhou espaço a ideia de que a substância também possuiria propriedades anti-inflamatórias.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na revista científica Frontiers in Immunology sugere que essa hipótese ainda não encontra respaldo consistente em estudos realizados com seres humanos.

A pesquisa reuniu dados de oito ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo, envolvendo 216 participantes. Os estudos analisados incluíram atletas, indivíduos saudáveis, idosos e pacientes com osteoartrite.

Os protocolos de suplementação variaram entre cinco dias e 24 semanas, com doses que oscilaram de acordo com os objetivos de cada pesquisa. Os cientistas avaliaram marcadores inflamatórios amplamente utilizados na medicina, como proteína C reativa (PCR), interleucina-6 (IL-6), interleucina-1β, fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e prostaglandina E2.

Os resultados mostraram que a suplementação de creatina não produziu redução estatisticamente significativa desses marcadores. Segundo os autores, as evidências atuais não permitem afirmar que o suplemento tenha efeito anti-inflamatório comprovado em humanos.

Pesquisadores destacam que parte da crença sobre essa possível ação surgiu a partir de estudos experimentais realizados em animais ou em culturas celulares. No entanto, efeitos observados em laboratório nem sempre são reproduzidos em pesquisas clínicas com pessoas.

Creatina segue eficaz para força e desempenho muscular

Apesar de os resultados não confirmarem uma ação anti-inflamatória, a pesquisa não coloca em dúvida os benefícios já conhecidos da creatina para a saúde muscular e o desempenho físico.

A substância atua como uma importante fonte de energia para as células musculares, contribuindo para exercícios de alta intensidade e curta duração. A suplementação também auxilia na recuperação pós-treino e pode favorecer o ganho de força e massa muscular quando associada a treinamento adequado.

Os pesquisadores observaram que alguns estudos envolvendo atletas submetidos a exercícios extremamente intensos registraram reduções pontuais em determinados marcadores inflamatórios. Entretanto, esses resultados foram considerados insuficientes para concluir que a creatina funcione como um anti-inflamatório para a população em geral.

A revisão também reforçou o bom perfil de segurança do suplemento nas doses avaliadas. Assim, a creatina continua sendo uma ferramenta importante para objetivos relacionados ao desempenho esportivo e à função muscular, embora seu papel como agente anti-inflamatório permaneça sem comprovação científica consistente.

Com informações de Metrópoles

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