
Um estudo piloto publicado em 9 de fevereiro de 2026 na revista científica Gastroenterology avaliou que a simples mudança no horário das refeições, sem alterar o tipo ou a quantidade de alimentos, pode impactar a atividade da doença de Crohn em pacientes com sobrepeso ou obesidade. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, investigou os efeitos da alimentação com restrição de tempo.
O ensaio clínico incluiu 35 adultos com doença de Crohn e sobrepeso ou obesidade, acompanhados por 12 semanas. Os participantes foram divididos em dois grupos:
- Grupo de intervenção (20 pessoas): Seguiram um modelo de alimentação com restrição de tempo, consumindo todas as refeições dentro de uma janela de oito horas, seguida por 16 horas sem ingestão calórica.
- Grupo controle (15 pessoas): Mantiveram seus horários habituais de alimentação.
É importante ressaltar que não houve restrição calórica nem mudança obrigatória no tipo de alimento consumido; a única variável modificada foi o horário das refeições.
Resultados Observados:
Após 12 semanas, o grupo que concentrou a alimentação em oito horas apresentou:
- Redução de cerca de 40% na atividade clínica da doença.
- Diminuição aproximada de 50% no desconforto abdominal relatado.
- Perda média de 2,5 kg.
O que é a Doença de Crohn?
A doença de Crohn é uma condição inflamatória crônica do intestino que pode levar a dor abdominal, diarreia, perda de peso e complicações intestinais. O tratamento padrão inclui medicamentos imunomoduladores, biológicos e acompanhamento médico regular.
Principais sintomas da doença de Crohn:
- Diarreia persistente, que pode causar perda de peso.
- Dores e cólicas abdominais.
- Presença de sangue nas fezes (embora não seja comum).
- Anemia.
- Desnutrição (por problemas de absorção).
- Cansaço generalizado.
- Náusea e perda de apetite.
- Lesões oculares, de pele e musculoesqueléticas.
- Dor e formação de abcessos no intestino.
- Obstrução do cólon.
- Cálculo renal.
- Artrite.
- Febre.
Limitações e Recomendações:
O estudo, apesar dos resultados promissores, teve um número pequeno de participantes e um período de acompanhamento de apenas 12 semanas. Além disso, todos os envolvidos tinham sobrepeso ou obesidade, o que significa que os achados podem não se aplicar a todos os pacientes com Crohn, e os efeitos a longo prazo não foram avaliados.
Os pesquisadores reforçam que essa estratégia não substitui o tratamento médico e deve ser discutida com um gastroenterologista ou nutricionista antes de ser adotada. Novos estudos, com mais participantes e maior tempo de acompanhamento, serão necessários para confirmar esses achados e avaliar a segurança da prática a longo prazo.
Com informações de Metrópoles







