Os Estados Unidos alertaram para uma intensificação dos esforços do Irã para atacar funcionários americanos. Segundo um memorando de inteligência do governo de Donald Trump, visto pela Reuters, os planos de Teerã contra cidadãos dos EUA teriam atingido “estágios avançados”.

O alerta foi feito pelo diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton, em mensagem enviada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, datada de 23 de outubro. O documento também foi encaminhado ao diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, e divulgado inicialmente pelo site Axios.

“Especificamente, por meio de vários canais, recebemos informações de inteligência de que o Irã aumentou substancialmente os esforços para visar pessoal dos EUA”, escreveu Clayton.

“Os esforços de conspiração letal dos iranianos contra cidadãos americanos atingiram estágios avançados tanto no Oriente Médio quanto em alguns outros países”, acrescentou.

EUA reduzem funcionários em missões diplomáticas

O alerta ocorre em meio ao aumento das tensões na região e à intensificação dos ataques atribuídos aos houthis, grupo aliado do Irã. No início da semana, Washington reduziu o número de funcionários em sua missão diplomática na Arábia Saudita, em resposta à deterioração das condições de segurança.

Na quarta-feira (21), o Departamento de Estado dos EUA determinou que funcionários considerados não essenciais e seus familiares deixassem as missões diplomáticas americanas no país. Autoridades também informaram que havia planos para retirar familiares de outras representações na região.

Neste sábado (24), o governo americano atualizou os alertas de viagem para mais de uma dúzia de países do Golfo e do Oriente Médio, incluindo Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Israel. Entre os motivos citados estão o aumento das ameaças relacionadas aos houthis, alinhados a Teerã.

“Quando se trata do nosso quadro de funcionários nas embaixadas, avaliamos constantemente novas informações sobre o ambiente de segurança”, afirmou uma autoridade americana à Reuters.

A mesma fonte declarou que as ameaças de ataques houthis e de supostos planos terroristas iranianos contra autoridades dos Estados Unidos estão influenciando as decisões sobre a presença de funcionários nas embaixadas.

Medidas permitem ajustes na presença diplomática

Segundo a autoridade americana, algumas missões diplomáticas da região estão sob o chamado Status de Operações Restritas. Essa classificação permite ao Departamento de Estado maior flexibilidade para ajustar o número de funcionários conforme a avaliação de segurança, sem precisar anunciar publicamente uma mudança no status da representação.

As medidas ocorrem em paralelo ao aumento dos ataques contra o transporte marítimo comercial no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo e outros produtos.

No início de outubro, fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que o Irã se preparava para responder com maior intensidade caso os Estados Unidos retomassem ataques militares de grande escala contra seu território.

As informações divulgadas no memorando representam uma avaliação de inteligência americana. Os detalhes das supostas conspirações e as evidências que sustentam o alerta não foram apresentados integralmente no relato.

Conflito pressiona governo Trump

A guerra envolvendo o Irã tem ampliado a tensão no Oriente Médio e provocado impactos na segurança regional e na navegação comercial.

O conflito também representa um desafio político para o presidente Donald Trump, cujos índices de aprovação têm sido pressionados pela guerra, segundo o relato. O cenário se desenvolve às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.

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