
As Forças Armadas dos Estados Unidos ampliaram sua presença na Venezuela para apoiar as operações de busca, resgate e assistência humanitária após os terremotos que devastaram o país na última semana. Segundo o comandante do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), general Francis Donovan, mais de 900 militares americanos já atuam em território venezuelano, enquanto cerca de 800 outros permanecem mobilizados em bases no Caribe, localizadas em Porto Rico e Curaçao.
Em entrevista à Reuters, Donovan afirmou que as tropas americanas auxiliam na remoção de escombros, no restabelecimento das operações do principal aeroporto do país e na logística para garantir a chegada e distribuição de ajuda humanitária às áreas mais afetadas.
Além das equipes em solo, os Estados Unidos empregaram pelo menos quatro ou cinco drones MQ-9 Reaper, utilizados para mapear áreas devastadas, identificar edifícios danificados e verificar se as principais vias de acesso permanecem bloqueadas. As imagens são compartilhadas com as autoridades venezuelanas para acelerar os trabalhos de resgate.
“Estamos utilizando alguns dos mesmos recursos que normalmente empregamos para monitorar ameaças no hemisfério, mas agora para localizar áreas destruídas, verificar estradas e fornecer informações que muitas vezes são difíceis de obter apenas por equipes em terra”, explicou Donovan.
Mudança na relação entre EUA e Venezuela
A operação humanitária representa uma mudança significativa na relação entre Washington e Caracas. Em janeiro deste ano, forças americanas realizaram uma operação que resultou na captura do ditador deposto Nicolás Maduro, posteriormente levado aos Estados Unidos para responder por acusações relacionadas ao tráfico de drogas, acusações que ele sempre negou.
No mês passado, militares americanos também participaram, em coordenação com autoridades venezuelanas, da operação que matou o líder da organização criminosa Tren de Aragua.
“O dia 3 de janeiro não faz tanto tempo assim. Basta observar como essa relação mudou desde então”, comentou o general.
Operação humanitária
Segundo Donovan, os primeiros militares americanos a desembarcarem na Venezuela foram integrantes do Corpo de Fuzileiros Navais, que passaram a atuar diretamente na retirada de escombros em busca de sobreviventes.
As forças dos EUA também transportaram por via aérea equipes internacionais de resgate, incluindo bombeiros do condado de Fairfax, no estado da Virgínia. Um dos resgates realizados ganhou repercussão após salvar uma mulher e seu bebê de nove meses presos sob os escombros.
O comandante explicou que boa parte da missão consiste em garantir que alimentos, medicamentos, equipamentos e demais suprimentos consigam chegar rapidamente às regiões afetadas.
“Essas operações dependem de logística. Não basta trazer ajuda; é preciso garantir que ela chegue rapidamente a quem precisa”, destacou.
Críticas à resposta do governo
O governo venezuelano tem sido alvo de críticas pela demora na mobilização de máquinas pesadas e equipes especializadas de busca e salvamento. Nos primeiros dias após os terremotos, moradores relataram que precisaram procurar parentes soterrados utilizando apenas pás, cordas e as próprias mãos.
Questionado sobre essas críticas, Donovan afirmou que a infraestrutura do país sofre os efeitos de décadas de dificuldades estruturais e reconheceu que a escassez de medicamentos, equipamentos e profissionais da saúde pode ampliar o impacto da tragédia.
Apesar da ampla mobilização militar, o general ressaltou que os Estados Unidos não pretendem manter uma presença permanente na Venezuela.
“Não estamos falando em permanecer. Nossa missão é prestar assistência e partir quando o trabalho estiver concluído”, afirmou.
Ainda assim, Donovan disse esperar que a cooperação durante a operação humanitária contribua para fortalecer o relacionamento entre as forças armadas dos dois países no futuro.
Terremotos deixaram milhares de vítimas
A Venezuela foi atingida na última quarta-feira (24) por dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados com menos de um minuto de intervalo. Os tremores provocaram o desabamento de edifícios, interromperam serviços essenciais e desencadearam uma grande operação internacional de socorro, com equipes de diversos países atuando nas buscas por sobreviventes.







