EUA promoverão novas conversas do G20 sobre o impacto da guerra em alimentos e fertilizantes

Os Estados Unidos anunciaram que irão sediar, nas próximas semanas, novas rodadas de negociações com países do G20 para discutir os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os mercados de alimentos e fertilizantes. A iniciativa faz parte de um esforço para estimular ações coordenadas entre as principais economias do mundo.

A medida consta em uma declaração da presidência do grupo, divulgada após reunião de ministros das Finanças e chefes de bancos centrais realizada durante os encontros de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, no último dia 16 de abril, em Washington.

O documento, obtido pela agência Reuters antes da divulgação oficial, substitui um comunicado conjunto — que exigiria consenso entre os membros — e destaca que, apesar das discussões sobre os efeitos econômicos da guerra, não houve acordo para ações concretas, especialmente no que diz respeito ao acesso global a fertilizantes.

O tema ganhou força após o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, defender uma atuação conjunta do G20, com apoio do FMI e do Banco Mundial, para garantir o fornecimento de insumos agrícolas, considerados essenciais para a produção de alimentos.

Segundo organismos internacionais, a guerra tem pressionado os preços da energia e provocado interrupções nas cadeias de suprimentos, sobretudo no envio de fertilizantes em períodos críticos de plantio. A estimativa é de que até 45 milhões de pessoas possam ser levadas à insegurança alimentar em decorrência desses impactos.

O FMI também revisou para baixo as projeções de crescimento global e avalia que ao menos uma dúzia de países deve buscar novos programas de assistência financeira diante do cenário.

Apesar do apoio da maioria dos integrantes do G20 à proposta liderada pelos Estados Unidos, divergências impediram um acordo imediato. As negociações devem continuar com o objetivo de alcançar um consenso viável.

No documento, os países destacam a importância de manter abertas as cadeias de abastecimento, especialmente para nações mais vulneráveis, e evitar restrições à exportação de fertilizantes. Também reforçam a necessidade de coordenação entre instituições financeiras internacionais para mitigar os efeitos econômicos da guerra.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que as instituições irão intensificar a análise de pedidos de დახმარa de países afetados e buscar respostas conjuntas para a crise.

Além disso, membros do grupo indicaram disposição para adotar políticas econômicas flexíveis e cooperativas, além de discutir ações voltadas à segurança alimentar e à estabilidade dos mercados globais.

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