Reprodução Metrópoles

Um ex-assessor de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) foi preso pelos crimes de stalking, violência psicológica e injúria contra a esposa pouco antes do feriado de Natal.

Marcelo Pereira Pitella, 53 anos, foi detido por policiais militares do Grupo Tático Operacional (GTOp) da Polícia Militar (PMDF), no Lago Sul, logo após deixar um hotel na área central de Brasília, na madrugada de 20 de dezembro do ano passado.

À época, Pitella era lotado no gabinete do ministro Nunes Marques. Em 22 de dezembro, dois dias após a prisão, Marcelo perdeu o cargo em comissão no gabinete. No entanto, ele permanece como servidor do STF, redistribuído do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

A mulher dele, que é juíza federal, se hospedou em um hotel de Brasília a fim de fugir do então marido. Porém, ele a encontrou após instalar um aparelho localizador, de forma clandestina, no carro da vítima.

Em choque, a mulher acionou a polícia por medo do que poderia ocorrer. Equipes da Polícia Civil e da PMDF se deslocaram ao local. A coluna apurou que a magistrada já tinha duas medidas protetivas contra o então companheiro, que não poderia se aproximar dela. No entanto, a juíza teve sua localização revelada em razão do GPS.

Preso em flagrante

Marcelo saiu do hotel e, no caminho para o Lago Sul, região nobre de Brasília, foi preso. Ele ficou cerca de uma hora na delegacia para prestar esclarecimentos.

Em seguida, na madrugada de 20 de dezembro, o ex-assessor passou por audiência de custódia, em que foi realizado o procedimento para instalar monitoramento eletrônico. Segundo apurou a coluna, a tornozeleira de Marcelo chegou a ficar ativa, mas atualmente está inativa.

 O que diz o STF

Procurado pelo Metrópoles, o STF se manifestou por meio de nota. Leia abaixo, na íntegra:

“A violência contra a mulher é uma chaga aberta na sociedade brasileira e é manifestação das relações de poder historicamente desiguais entre mulheres e homens. A eliminação da violência contra a mulher é condição indispensável para seu desenvolvimento individual e social e sua plena igualitária participação em todas as esferas de vida. O Estado brasileiro, que tem um déficit histórico com a proteção dos direitos das mulheres, não pode, de forma crível, combater a violência ao mesmo tempo em que admite, nos seus quadros, agentes violentos. Os servidores públicos têm o dever de manter conduta compatível com a moralidade administrativa. Por essa razão, ante a notícia de possível prática de violência, a Diretora-Geral do Supremo Tribunal Federal determinou a instauração de sindicância para apurar os fatos envolvendo o servidor Marcelo Pereira Pitella, que foi exonerado da função que ocupava no dia 22 de dezembro”.

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