
O pastor e ex-presidente da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM) José Nilmar Alves de Oliveira, candidato a deputado federal pelo PL nas eleições de 2022, aparece entre os alvos da investigação da Polícia Federal que resultou na Operação Combustão, deflagrada nesta quinta-feira (24), no Amazonas.
A investigação apura um suposto esquema envolvendo desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento eleitoral irregular, a partir de contratos firmados pela AADESAM e de movimentações financeiras realizadas entre 2021 e 2022.
Um dos pontos que chama a atenção dos investigadores é uma transferência bancária realizada por uma empresa que havia recebido recursos milionários da AADESAM diretamente para a conta pessoal de José Nilmar.
Segundo informações constantes de Relatório de Inteligência Financeira (RIF) analisado no curso da investigação, a AADESAM realizou repasses milionários às empresas VJ Prado Marques e RP Comércio de Materiais e Serviços de Construção, ambas ligadas a Valber José Prado Marques.
Posteriormente, conforme o relatório, a VJ Prado Marques realizou uma transferência para a conta pessoal do então presidente da AADESAM. A movimentação passou a ser analisada como possível indício de desvio de recursos públicos e corrupção.
R$ 831 mil movimentados por administrador financeiro da campanha
Outro braço da investigação alcança a campanha de José Nilmar a deputado federal pelo PL em 2022.
O relatório cita uma movimentação financeira de R$ 831.147 atribuída a Hiago Dias Costa, identificado na investigação como administrador financeiro da campanha do então candidato, entre 30 de maio e 28 de novembro daquele ano.
De acordo com os dados analisados pelos investigadores, o volume movimentado seria incompatível com a renda de Hiago no período. A investigação apura se essas operações podem estar relacionadas à existência de recursos eleitorais não contabilizados, o chamado caixa dois, conduta que pode ser enquadrada como falsidade ideológica eleitoral.
José Nilmar presidiu a AADESAM no período alcançado pela investigação. Documentos oficiais do próprio Estado confirmam que ele exercia a presidência da agência em 2021 e no início de 2022.
PF bloqueia mais de R$ 17 milhões
A Polícia Federal confirmou que a Operação Combustão foi deflagrada nesta quinta-feira (24) para aprofundar uma investigação sobre a possível utilização de recursos provenientes de contratos da AADESAM e a posterior circulação desses valores entre pessoas físicas e jurídicas relacionadas aos fatos investigados.
Ao todo, foram expedidos pela Justiça Eleitoral seis mandados de busca e apreensão.
A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 17 milhões em bens e valores. Segundo a PF, a medida busca assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos e garantir a efetividade de possível perdimento de bens obtidos por meio de atividade criminosa.
A Polícia Federal informou que os investigados poderão responder, de acordo com a participação individual que venha a ser demonstrada, pelos crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, além de outros delitos eventualmente identificados durante o avanço das investigações.
A operação ainda está em andamento e as diligências buscam esclarecer a origem, o destino e a eventual utilização eleitoral dos recursos investigados. A existência das movimentações apontadas nos relatórios não representa, por si só, condenação dos envolvidos, que terão direito à defesa no decorrer do procedimento.







