Ex-presidente da Coreia do Sul Yoon Suk Yeol chega a tribunal em Seul • 09/07/2025 REUTERS/Kim Hong-Ji/Pool

Um tribunal da Coreia do Sul condenou nesta quinta-feira (11) o ex-presidente Yoon Suk Yeol a 30 anos de prisão por envolvimento em uma operação que teria utilizado drones militares sobre o território da Coreia do Norte para criar um pretexto para a decretação da lei marcial em dezembro de 2024.

A decisão foi divulgada pela agência de notícias Yonhap. Segundo o Tribunal Distrital Central de Seul, Yoon foi considerado culpado pelos crimes de abuso de poder e auxílio ao inimigo.

Operação com drones

De acordo com a sentença, o ex-presidente teria participado desde o início do planejamento de uma incursão com drones realizada em outubro de 2024 sobre Pyongyang, capital da Coreia do Norte.

Os magistrados concluíram que a ação fazia parte de uma estratégia destinada a elevar a tensão militar na Península Coreana e criar justificativas para medidas excepcionais adotadas posteriormente pelo governo.

A defesa de Yoon negou todas as acusações.

Os advogados do ex-presidente argumentaram que ele não ordenou nem autorizou a operação e sustentaram que a missão militar não tinha qualquer relação com a tentativa de implementação da lei marcial.

Segundo a defesa, a ação foi uma resposta aos frequentes lançamentos de balões carregados de lixo enviados pela Coreia do Norte para o território sul-coreano.

Nova condenação se soma à prisão perpétua

A pena anunciada nesta semana amplia a situação judicial do ex-mandatário conservador.

Em fevereiro deste ano, Yoon Suk Yeol já havia sido condenado à prisão perpétua por liderar uma insurreição relacionada à tentativa de impor a lei marcial no país.

A medida provocou uma das maiores crises políticas da história recente da Coreia do Sul e resultou em seu impeachment.

Posteriormente, o Tribunal Constitucional confirmou a destituição do presidente, encerrando oficialmente seu mandato.

Crise política levou a novas eleições

A queda de Yoon desencadeou eleições presidenciais antecipadas no país.

O pleito foi vencido pelo candidato liberal Lee Jae Myung, que assumiu a presidência após a saída definitiva do líder conservador.

A crise institucional gerada pela tentativa de implementação da lei marcial é considerada a mais grave enfrentada pela quarta maior economia da Ásia nas últimas décadas.

Defesa pode recorrer

Yoon Suk Yeol permanece detido e ainda poderá recorrer da decisão proferida pelo tribunal de primeira instância.

Os promotores já haviam solicitado uma pena de 30 anos de prisão durante o julgamento realizado em abril, pedido que acabou sendo integralmente acolhido pela Justiça sul-coreana.

O caso segue repercutindo no país e deve continuar sendo acompanhado pelas autoridades judiciais nas próximas etapas processuais.

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