
Uma das mais severas condenações já aplicadas pela Justiça do Amazonas em crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes foi proferida nesta quinta-feira (18). O ex-professor de jiu-jítsu Alcenor Alves Soeiro, de 58 anos, foi condenado a 178 anos e 5 meses de reclusão por abusar sexualmente de diversos alunos que treinavam sob sua orientação em Manaus.
A sentença foi assinada pela juíza Dinah Câmara Fernandes Abrahão, da 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Dignidade Sexual e Violência Doméstica a Crianças e Adolescentes. Além da pena de reclusão, o réu recebeu mais 3 anos de detenção e 15 dias-multa, devendo cumprir a pena em regime inicial fechado. A magistrada também negou o pedido para que ele recorresse da decisão em liberdade.
O caso veio à tona após uma das vítimas decidir romper o silêncio e denunciar os abusos às autoridades. A partir do primeiro relato, outras vítimas passaram a procurar os órgãos de investigação, revelando um esquema de violência que, segundo o processo, se estendeu por anos e atingiu diversos adolescentes que frequentavam a academia.
Durante a instrução processual, ficou comprovado que o então treinador utilizava a relação de confiança construída com os alunos e suas famílias para se aproximar das vítimas. Conforme apontaram as investigações, ele oferecia presentes, promovia viagens e organizava pernoites na academia, criando situações favoráveis para a prática dos abusos.
As apurações também identificaram que o condenado utilizava substâncias como melatonina e bebidas alcoólicas para reduzir a capacidade de reação das vítimas. Os elementos reunidos pela investigação resultaram na prisão do professor durante a Operação Armlock, deflagrada para apurar os crimes.
Na sentença, a juíza destacou a gravidade dos fatos e os danos causados às vítimas. Ao fundamentar a decisão, ressaltou que a dignidade sexual, a intimidade e a integridade corporal dos adolescentes foram gravemente violadas, justificando a aplicação de uma pena elevada diante da quantidade de crimes reconhecidos pela Justiça.
Além da condenação criminal, o ex-professor também foi condenado ao pagamento de indenizações por danos morais. A maior parte das vítimas deverá receber R$ 50 mil cada, enquanto uma delas terá direito a R$ 5 mil.
O processo continua tramitando sob segredo de justiça, medida adotada para preservar a identidade das vítimas e de seus familiares.







