
Com a Covid-19 representando uma preocupação cada vez menor (isso não significa que a pandemia acabou ou que a doença ainda não causa danos), as autoridades em saúde têm se voltado para outras enfermidades. Uma delas é a chamada varíola dos macacos.
Os casos atípicos em países da Europa e nas Américas fizeram com que um alerta amarelo (inclusive da Anvisa) se acendesse. Neste cenário, presenciamos a volta de notícias falsas que nos lembram outro período: o entre o surgimento do Sars-CoV-2 (chamado na época de “novo coronavírus”) e o anúncio de pandemia global.
Uma das histórias apontava para a suposta causa da doença. Enquanto no início de 2020 informações falsas davam conta de que o vírus havia sido uma arma química ou que se tratava de algo recorrente do consumo de morcegos, em 2022, teses falsas colocavam a culpa da varíola nas vacinas contra Covid-19.
O surgimento da nova doença foi um prato cheio para que antivacinas criassem novas teorias da conspiração. Obviamente, a varíola dos macacos (doença que, por sinal, já existia) não tem qualquer relação com os imunizantes contra a Covid-19.
O segundo tipo de fake news que apareceu foi das notícias que superdimensionavam o surto. Quando surgiu a Covid-19, o que não faltaram foram publicações falsas falando sobre o Brasil ter um número imenso de casos e mortes. O mais irônico é que muitas das pessoas que compartilharam este tipo de fake foram as mesmas pessoas que compartilharam, posteriormente, que a pandemia era uma farsa e o vírus não era de nada.
Na última semana, mensagens falando que já havia casos confirmados da varíola dos macacos no Brasil também viralizam. Desmentimos no Boatos.org frisando que, apesar de ser possível que tenhamos casos no Brasil no futuro, somos território livre da doença.
É claro que, felizmente, estamos longe de comparar o surto de varíola dos macacos com a pandemia da Covid-19 (que se desenhou em quadro catastrófico). Porém, é interessante se debruçar a fim de encontrar um padrão quando eventos como esses aparecerem.
O que temos até agora é um misto de especulação com alarmismo. Torcemos para que a questão da varíola dos macacos não piore a ponto de chegarmos na fase do uso político das fake news, da negação da ciência e de desinformações muito mais sérias. (Metrópoles)







