
A família de William de Marco Machado, de 27 anos, denuncia policiais militares por suspeita de tortura durante uma abordagem realizada em 29 de agosto, no município de Nova Odessa, no interior de São Paulo. Segundo a defesa, o jovem enfrentava uma crise psicológica quando foi contido pelos agentes e teria sido agredido durante a ação.
Atualmente, William está preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Americana. A família afirma que ele atravessava um período de sofrimento emocional após o suicídio do irmão.
Um documento de atendimento realizado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), em julho, registra sofrimento emocional intenso, alterações no sono e pensamentos relacionados à possibilidade de se machucar. O relatório também aponta encaminhamento prioritário para avaliação psiquiátrica.
De acordo com a defesa, no dia da ocorrência, William havia consumido bebida alcoólica enquanto fazia uso de medicamentos e apresentava comportamento alterado. Por esse motivo, familiares acionaram a Polícia Militar.
A família, no entanto, sustenta que o jovem precisava de atendimento especializado em saúde mental e que a intervenção policial teria sido desproporcional.
Polícia Militar apresenta outra versão da ocorrência
Segundo o registro policial, a equipe foi acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para atender a uma ocorrência de violência doméstica.
A mãe de William teria informado aos policiais que ele manteve a companheira em cárcere privado, em Americana, além de fazer ameaças contra familiares, incluindo uma criança de nove meses.
Ainda conforme a versão dos agentes, o jovem teria se aproximado da equipe de maneira agressiva, desobedecido às ordens para manter distância e ameaçado tanto as vítimas quanto os policiais.
O documento da ocorrência afirma que foi necessário utilizar força de maneira moderada para conter William.
Após a abordagem, ele foi encaminhado ao pronto-socorro municipal. O prontuário médico registrou um hematoma na região frontal da cabeça.
Justiça determina apresentação de imagens das câmeras corporais
Em decisão proferida em 20 de outubro, a Justiça determinou que a Polícia Militar apresente as gravações das câmeras corporais dos agentes envolvidos na abordagem. Caso os equipamentos não existissem ou não tivessem sido utilizados, a corporação deverá informar formalmente a situação.
A defesa solicitou a abertura de investigação para apurar possível prática de tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
Também foi solicitado um incidente de insanidade mental, procedimento destinado a avaliar as condições psicológicas do acusado e sua capacidade de compreender o caráter dos atos e de agir conforme esse entendimento.
Jovem responde por ameaças e cárcere privado
Além da denúncia apresentada pela família contra os policiais, William responde a uma ação penal por duas acusações de ameaça e uma de cárcere privado qualificado, em contexto de violência doméstica.
A denúncia foi recebida pela Justiça em 22 de setembro, e o jovem permanece preso preventivamente.
Segundo o relatório final da Polícia Civil, William não possuía registros criminais anteriores, inquéritos policiais, processos judiciais ou mandados de prisão.
Até o momento, a suspeita de tortura apresentada pela família ainda depende de apuração. A determinação judicial para apresentação das imagens das câmeras corporais poderá contribuir para esclarecer as circunstâncias da abordagem.







