Famílias buscam crédito emergencial após recorde de endividamento (Foto: ABr)

 O avanço do endividamento das famílias brasileiras já impulsiona a busca por crédito emergencial, como cartão rotativo e cheque especial, em um cenário de alta histórica das dívidas e juros elevados. Dados indicam que o crédito de longo prazo cresceu 12,5%, enquanto as linhas emergenciais avançaram 23% em fevereiro na comparação anual. As informações foram divulgadas pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), com base em dados do Banco Central, e publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (13). O levantamento integra o Termômetro do Crédito, que monitora o comportamento do financiamento no País.

Segundo a ABBC, o aumento do uso dessas modalidades reflete a dificuldade das famílias em acessar crédito mais barato. O crédito de longo prazo inclui operações como consignado, financiamento de veículos e outros bens, mas perdeu espaço diante do aperto financeiro.

O diretor de economia, regulação e produtos da entidade, Everton Gonçalves, apontou os fatores que pressionam o cenário. “As famílias já estão endividadas e a oferta de crédito barato também foi reduzida”. Ele acrescentou: “A conjugação de todos esses aspectos, produz esse movimento de um crescimento de linhas de maior risco”.

O nível de endividamento atingiu 49,7% da renda das famílias, enquanto o comprometimento mensal chegou a 29,3%. Para Gonçalves, o cenário pode impactar o ritmo da economia. “Por enquanto o mercado continua com níveis recordes de taxa de emprego, de crescimento, de salário, mas pode ocorrer uma mudança e isso preocupa”, afirmou.

As linhas emergenciais apresentam os maiores custos do mercado. O cartão de crédito rotativo alcançou taxa de juros de 435,9% ao ano, segundo dados do Banco Central. Essa modalidade lidera a inadimplência entre pessoas físicas, com índice de 59,7%, seguida pelo cheque especial, com 14,4%.

Uma regra em vigor desde janeiro de 2024 limita o crescimento das dívidas no rotativo, impedindo que o valor total ultrapasse o dobro do montante original. A norma também estabelece teto de 100% sobre o valor contratado. Mesmo assim, especialistas consideram o uso desse tipo de crédito adequado apenas em situações emergenciais.

O cenário de juros elevados contribui para esse quadro. A taxa básica Selic está em 14,75% ao ano, o que encarece o crédito e restringe o acesso a modalidades mais acessíveis. O levantamento também identificou retração na carteira de crédito voltada para micro, pequenas e médias empresas. A inadimplência nesse segmento chegou a 5,9%, enquanto nas grandes empresas permaneceu em 0,6%.

Gonçalves destacou a maior vulnerabilidade das empresas menores. “As pequenas e médias empresas sempre são mais impactadas porque elas têm uma sensibilidade ao movimento da economia maior do que as grandes empresas”, disse. O avanço do crédito emergencial em meio ao alto endividamento indica um ambiente financeiro mais pressionado, com impactos tanto para as famílias quanto para o desempenho da atividade econômica.

Com informações do Brasil 247.

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