O empresário amazonense Victor Simões da Silva, filho do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, morreu nesta sexta-feira (16), após a queda de um avião de pequeno porte em Orlândia, no interior de São Paulo. O acidente também provocou a morte de José Ricardo Santana, de 58 anos, que estava na aeronave. Câmeras de segurança registraram os últimos momentos do voo, incluindo a decolagem e a queda nas proximidades do aeródromo.

Natural de Manaus e integrante de uma família com forte atuação no setor empresarial amazonense, Victor tinha formação em Administração de Empresas nos Estados Unidos e experiência nas áreas administrativa, financeira e de auditoria. Além da trajetória profissional, era conhecido pela paixão pela aviação, especialmente por aeronaves utilizadas em voos recreativos e acrobáticos.

Segundo informações preliminares, o empresário estava na região de Orlândia para acompanhar a participação da filha, Victoria Pizzonia Simões Silva, em uma competição de hipismo. O evento CSN5 Agromen 2026 estava programado para ocorrer entre os dias 14 e 18 de outubro.

As duas vítimas chegaram a ser socorridas e encaminhadas ao Hospital Beneficente Santo Antônio, mas não resistiram aos ferimentos.

Vídeos mostram avião perdendo altitude após decolagem

Imagens de câmeras de segurança registraram a sequência do acidente. Em uma das gravações, a aeronave aparece deixando a pista, ganhando altitude e, momentos depois, caindo nas proximidades do aeródromo.

Outro vídeo mostra o avião ficando de cabeça para baixo durante o voo, retornando à posição normal e, em seguida, perdendo altitude até atingir o solo.

Testemunhas relataram à Polícia Civil que a queda aconteceu instantes após a decolagem. Apesar da proximidade com a pista, não houve registro de outras pessoas feridas.

As imagens deverão auxiliar os investigadores na reconstituição dos acontecimentos. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a causa do acidente.

Empresário tinha na aviação uma de suas maiores paixões

A relação de Victor Simões com a aviação ia além de um passatempo. O empresário mantinha aeronaves, incluindo aviões e helicóptero, e costumava dedicar parte dos fins de semana à atividade.

Em julho de 2025, durante entrevista publicada no YouTube, Victor falou sobre o entusiasmo por pilotar o Pitts S-2B, avião biplano utilizado em acrobacias aéreas.

“Isso aqui é o meu xodó, é o meu amor”, declarou, ao demonstrar o carinho pela aeronave.

Na ocasião, contou que seu interesse pela aviação ganhou força depois de acompanhar um amigo que pilotava um Super Petrel. A experiência despertou sua vontade de aprender a voar.

Ao longo dos anos, Victor teve contato com diferentes modelos, entre eles Navion, King Air e RV-7. Também demonstrava interesse por aeronaves acrobáticas, como o Extra 300.

Em uma das gravações, o empresário aparece realizando manobras aéreas na Fazenda Santa Fé, evidenciando a importância que a aviação havia adquirido em sua vida.

Victor Simões tinha 51 anos e trajetória no setor empresarial amazonense

Victor Simões nasceu em Manaus em 18 de julho de 1975. Formado em Administração de Empresas pela Jones College, em Miami, nos Estados Unidos, acumulava mais de 15 anos de experiência profissional nas áreas administrativa, financeira e de auditoria.

De acordo com informações curriculares apresentadas à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em 2022, o empresário também possuía experiência internacional, atuação em empresas multinacionais e participação em processos de aquisições, incorporações e administração de holdings e patrimônios familiares.

Naquele ano, foi indicado como representante suplente da Fieam no Conselho Estadual de Regulação e Controle dos Serviços Públicos.

Filho de Antonio Silva e Norma Simões, Victor integrava a família ligada ao Grupo Simões, conglomerado com raízes no Amazonas e trajetória histórica no setor de bebidas.

Era casado com Sihame Cruz Simões Silva e deixa dois filhos.

Aeronave estava regularizada e acidente será investigado

O avião envolvido na tragédia era um monomotor Van’s RV-7A, de prefixo PP-ZLC, fabricado em 2011, com capacidade para duas pessoas.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave estava com a situação cadastral regular. Essa condição, entretanto, não esclarece as circunstâncias da queda.

De acordo com a Defesa Civil de São Paulo, o acidente ocorreu por volta das 16h49, em uma área aberta do antigo Aeroporto Tangará, provocando pequenos danos em estruturas próximas.

Após o impacto, foi registrado vazamento de combustível. Equipes do Corpo de Bombeiros utilizaram espuma para controlar os riscos, enquanto peritos iniciaram os levantamentos no local.

A Força Aérea Brasileira informou que investigadores do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV), vinculado ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), foram acionados.

Os trabalhos incluem coleta de informações, preservação de evidências, avaliação dos danos e análise das condições em que ocorreu o acidente. A Polícia Civil também conduz investigação.

Até a noite desta sexta-feira, nenhuma causa havia sido oficialmente confirmada.

Empresário estava na região para acompanhar competição da filha

A presença de Victor Simões em Orlândia estaria relacionada ao CSN5 Agromen 2026, competição de hipismo realizada entre os dias 14 e 18 de outubro.

Sua filha, Victoria Pizzonia Simões Silva, é praticante da modalidade e já conquistou medalhas em competições nacionais.

Segundo informações publicadas pelo jornal A Crítica, José Ricardo Santana, a outra vítima do acidente, seria pai do namorado de Victoria. O parentesco ainda não foi confirmado oficialmente pelas autoridades.

A morte de Victor Simões repercutiu entre familiares, amigos e integrantes do setor empresarial amazonense, encerrando de forma trágica a trajetória de um empresário que conciliava a atuação profissional com a paixão por pilotar aeronaves.

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