
A proibição das casas de apostas no Brasil deve provocar um impacto significativo nas finanças dos clubes de futebol. Em 2025, as empresas do setor movimentaram cerca de R$ 1,14 bilhão em patrocínios para equipes da Série A, valor equivalente a aproximadamente 7,9% das receitas dos clubes no período.
A medida foi estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro. O texto proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país.
Pelo cronograma definido pelo governo, as plataformas têm até 5 de outubro para retirar materiais publicitários e de patrocínio. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar.
Clubes terão de buscar novas receitas
A dependência do futebol em relação às bets cresceu rapidamente nos últimos anos. Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A possuem ou possuíam patrocínio principal de empresas de apostas, segundo levantamento divulgado pela CNN Brasil.
Para os clubes, a interrupção dos contratos representa a necessidade de buscar novos patrocinadores e fontes de receita em um intervalo curto. A avaliação de especialistas é que o impacto pode alcançar não apenas os acordos estampados nos uniformes, mas também outras receitas relacionadas ao setor, como publicidade nos estádios e contratos comerciais.
O economista Cesar Grafietti, especialista em gestão e finanças esportivas, afirmou que a perda da receita pode provocar uma reação em cadeia, com redução de investimentos, revisão de salários e menor capacidade para contratar jogadores.
Flamengo calcula impacto de até R$ 400 milhões
O Flamengo está entre os clubes mais expostos financeiramente ao fim dos contratos com casas de apostas. O presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, afirmou que o impacto sobre as receitas do clube pode chegar a R$ 400 milhões em 2027, considerando efeitos diretos e indiretos.
O clube carioca também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida provisória e alegou que sofrerá prejuízos com a interrupção dos contratos.
Além do Flamengo, outros grandes clubes possuem acordos de valores elevados com empresas do setor. Levantamento divulgado pela CNN aponta contratos anuais de aproximadamente R$ 150 milhões no Corinthians, R$ 113 milhões no São Paulo e R$ 100 milhões no Palmeiras, entre outros.
Governo adiou reunião com clubes
O governo federal havia programado uma reunião com representantes dos clubes e da CBF para discutir os efeitos da proibição, mas o encontro previsto para terça-feira (29) foi adiado e ainda não tinha nova data definida.
A possibilidade de medidas de apoio ao futebol, incluindo uma eventual linha de crédito subsidiada, vem sendo discutida no governo, mas eventuais iniciativas dependem do diálogo com os clubes.
Enquanto isso, entidades e clubes defendem que a interrupção dos patrocínios poderá comprometer investimentos em estruturas, categorias de base e departamentos esportivos.
Medida ainda depende do Congresso
Apesar de já estar em vigor, a medida provisória precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para se tornar definitivamente uma lei. O texto tem prazo constitucional para tramitação e pode ser aprovado, alterado ou rejeitado pelos parlamentares.
Empresas de apostas e entidades ligadas ao setor também contestam a medida judicialmente. O Banco Central já regulamentou o bloqueio de transações destinadas a loterias de apostas de quota fixa, conforme determinação prevista na MP.
Com a saída das bets do mercado brasileiro, os clubes terão de reorganizar seus contratos comerciais e modelos de receita. O impacto definitivo dependerá da duração da proibição, da tramitação da MP no Congresso e da capacidade das equipes de substituir os valores atualmente provenientes do setor.







