O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu aos eleitores republicanos que tratem as eleições legislativas de novembro como uma votação sobre o próprio governo. Durante a convenção de meio de mandato do Partido Republicano, realizada em Dallas, no Texas, nesta quarta-feira (9), Trump afirmou que seus apoiadores devem votar como se o nome dele estivesse diretamente nas cédulas. A disputa definirá qual partido terá o controle do Congresso nos dois últimos anos do atual mandato presidencial.

Ao iniciar o discurso, Trump fez um apelo direto à base republicana e apresentou uma eventual vitória dos democratas como uma ameaça às principais bandeiras de seu governo. Segundo o presidente, uma derrota do partido poderia resultar em mudanças nas políticas de imigração, tributação e segurança.

“Estou pedindo que vocês finjam que meu nome está na cédula. Meu nome está na cédula. Se perdermos, vocês perderão suas fronteiras. Vocês perderão seus cortes de impostos. Vocês perderão sua segurança”, declarou.

Trump também afirmou que a volta dos democratas ao comando do Congresso levaria os Estados Unidos a uma década de dificuldades. Em contrapartida, pediu que os eleitores mantenham o apoio aos republicanos para garantir a continuidade de seu projeto político.

“Entreguem o futuro dos Estados Unidos aos democratas da esquerda radical e nossa nação passará a próxima década apenas tentando se reerguer. Votem nos republicanos e deixaremos o mundo comendo poeira por muitas gerações”, acrescentou.

A estratégia adotada pelo presidente ocorre em um momento de cautela entre candidatos republicanos que disputam vagas em estados considerados decisivos. Alguns desses políticos avaliam até que ponto devem associar suas campanhas à imagem de Trump, diante da avaliação negativa do governo entre parte dos eleitores.

Entre os fatores que pressionam o presidente estão a insatisfação com o custo de vida e a resistência à guerra contra o Irã. Mesmo diante desse cenário, Trump tentou transformar a eleição em uma escolha entre a continuidade de seu governo e um possível retorno às políticas implementadas durante a administração de Joe Biden.

Durante o discurso, o republicano voltou a responsabilizar o antecessor pela situação econômica enfrentada atualmente pelos Estados Unidos. Trump classificou a gestão Biden como um período de fracasso e caos e afirmou que os democratas pretendem retomar uma agenda que, segundo ele, prejudicou as finanças da população.

“Os democratas estão pedindo que vocês votem na agenda fracassada da extrema esquerda, que nunca funcionou, destruiu suas finanças e lhes trouxe quatro anos de desastre, caos e morte sob o governo de ‘Joe Biden Sonolento’”, afirmou.

Trump também fez declarações incorretas sobre seu próprio histórico eleitoral. Durante o evento, o presidente afirmou ter vencido três eleições presidenciais, sendo a declaração recebida com aplausos pelos participantes da convenção. Na realidade, Trump venceu as eleições de 2016 e 2024, mas foi derrotado por Joe Biden na disputa presidencial de 2020.

Em outro trecho do discurso, o presidente classificou os primeiros dois anos de seu atual mandato como os mais bem-sucedidos da história da Presidência dos Estados Unidos, tanto no desempenho financeiro quanto em outras áreas. Trump também voltou a destacar os investimentos estrangeiros anunciados desde seu retorno à Casa Branca.

Segundo ele, países e empresas estrangeiras já teriam anunciado mais de US$ 20 trilhões em investimentos nos Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente R$ 102,23 trilhões.

A cifra apresentada pelo presidente, porém, não corresponde aos próprios dados divulgados pela Casa Branca. O balanço oficial contabiliza US$ 11,2 trilhões, cerca de R$ 57,25 trilhões, em compromissos e anúncios. Além disso, o montante reúne promessas de diferentes naturezas e projetos que já haviam sido anunciados anteriormente.

Especialistas também apontam incertezas sobre parte significativa desses valores. Mais da metade do montante contabilizado pelo governo norte-americano envolve compromissos informais assumidos por outros países, cuja efetivação ainda não é garantida.

Entre os exemplos estão Catar e Emirados Árabes Unidos, que anunciaram individualmente planos de investimentos superiores a US$ 1 trilhão, aproximadamente R$ 5,11 trilhões. Os valores prometidos são maiores do que o Produto Interno Bruto de cada um dos dois países.

Promessas semelhantes também foram feitas durante o primeiro mandato de Trump e não foram totalmente concretizadas. Em 2017, por exemplo, a Arábia Saudita anunciou que compraria US$ 450 bilhões em produtos norte-americanos, o equivalente a cerca de R$ 2,3 trilhões. O volume efetivamente alcançado, porém, ficou abaixo do valor inicialmente anunciado.

O discurso em Dallas também chamou atenção pelas condições da arena onde ocorreu a convenção. Diversos assentos permaneceram vazios, inclusive em áreas próximas ao piso do evento. Grandes setores do nível superior também estavam desocupados durante a fala do presidente.

Apesar disso, Trump afirmou aos participantes que o local estava “lotado”. A cena ocorreu enquanto o presidente buscava mobilizar a base republicana para uma eleição que poderá definir o equilíbrio de forças no Congresso durante a segunda metade de seu atual mandato.

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