Fotos: Michell Mello / Fiocruz Amazônia

A Fiocruz Amazônia concluiu o processo seletivo para a escolha dos 15 bolsistas que atuarão na segunda fase da pesquisa Diagnóstico Situacional das Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF), que se destina a avaliar as condições de funcionamento de 43 UBSFs nos estados do Amazonas, Pará e Amapá. O trabalho terá início no próximo dia 13/04, quando partirão as primeiras expedições com destino às calhas dos rios Purus/Juruá, Baixo Solimões/Amazonas e Médio Solimões e Madeira. No Amazonas, as expedições foram divididas em três rotas. No eixo Pará e Baixo Amazonas, as equipes se dividirão nos polos Santarém (Baixo Amazonas/Tapajós) e Pará (Marajó, Tocantins e Xingu). No último dia 27/03, houve a entrega dos kits de campo e tablets que serão utilizados na realização das coletas de dados, além da apresentação das rotas, cronogramas e a formação dos grupos com os nomes dos participantes.

“A partir do dia 13 de abril, toda a equipe, cerca de 20 pesquisadores, entre eles pesquisadores em saúde pública e pesquisadores navais (engenheiros navais) sairão a campo, em equipes de quatro componentes, cada, para fazer um total de cinco expedições, três delas situadas ao longo do Estado do Amazonas onde se concentra o maior número de UBSFs, uma na região do Baixo Amazonas (Santarém) e outra na região de Belém do Pará e Amapá”, explicou o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, coordenador do projeto. Segundo ele, as equipes vivenciarão pelo menos 50 dias de imersão para coleta de um conjunto de dados importantes para um diagnóstico robusto acerca do funcionamento das UBSFs.

Esta fase da pesquisa é realizada pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (Lahpsa), com apoio do Laboratório de Situação de Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros grupos vulneráveis (Sagespi), ambos da Fiocruz Amazônia, tendo como parceiros institucionais a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM). A pesquisa é viabilizada por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED), firmado com o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), e visa o fortalecimento das políticas de Saúde Integral das Populações do Campo, das Florestas e das Águas e da estratégia de Atenção Primária à Saúde Fluvial no Brasil.

O processo de escolha dos candidatos foi acompanhado pela assessora técnica da Coordenadoria de Acesso à Equidade da SAPS, Cibele Lima dos Santos. Para ela, a pesquisa terá uma importância fundamental na melhoria do acesso à saúde para os ribeirinhos. “Além de levar acesso à saúde para as comunidades que estão em territórios remotos, a pesquisa vai nos dar subsídios para melhorar a política pública, ajudando na promoção da equidade em saúde para essas populações. Esse trabalho faz parte de uma carteira de compromissos que a SAPS tem para com a população amazônica, envolvendo muito esforço tanto da parte da coordenação quanto dos técnicos participantes para conhecer a produção de saúde que acontece nesses territórios”, afirmou Cibele. 

A vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Michele Rocha El-Kadri, destaca a importância da continuidade do trabalho, com a segunda fase da pesquisa. “Esse é um projeto muito especial para a Fiocruz Amazonia, pensado desde 2023, com as primeiras equipes saindo em 2024 e 2025. Estamos na segunda etapa, coordenada pela Fiocruz Amazônia com muito carinho e feita a muitas mãos. Em especial, nesta etapa trazemos o benefício de já termos aprendido muitas lições com as equipes da primeira fase e a possibilidade de corrigir e trazer novos aspectos que não tivemos nas outras viagens”, afirma El-Kadri, ressaltando a parceria dos gestores municipais, que têm sido bastante receptivos à proposta do projeto.

A pesquisa contará com a participação dos professores Helder Pinheiro e Juliana Lima, das universidades federais do Pará (UFPA) e Oeste do Pará (UFOPA), respectivamente. “Estamos colaborando com o projeto na execução das coletas da parte mais oriental do Pará, com o desafio de estabelecer uma luz na realidade das equipes que atuam nessa estratégia, conhecer suas potencialidades e identificar desafios para que a partir dos resultados possamos propor soluções novas diretrizes para a o serviço”, comentou Helder. Para Juliana, participar da pesquisa e ter a oportunidade de apoiar a coordenação no campo do Oeste do Pará têm o significado especial de contribuir com a mobilização das rotas e a integração com outras pesquisas, sob a coordenação da Fiocruz.

A partir do diagnóstico resultante da pesquisa, o Ministério da Saúde poderá subsidiar ações como reativação de embarcações, ampliação da oferta do serviço e qualificação das equipes de Saúde da Família que atuam nessas unidades. As UBSF são equipamentos efetivos de assistência e cuidado com a saúde de populações ribeirinhas.

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