
A cinco dias do primeiro turno, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, mudou o tom para tentar reduzir o desgaste da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
Um dia depois de acusar “gente dentro da CNBB” de ajudar a espalhar uma informação falsa contra sua campanha, o senador agradeceu à entidade, apareceu com uma imagem da santa e foi a um podcast católico.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reagiu à acusação no domingo (27/9). A entidade disse que não participou da criação nem da circulação do conteúdo e afirmou que “mentira não se combate com outra mentira”.
Nessa segunda (28/9), em São Paulo, o filho mais velho de Jair Bolsonaro evitou repetir a crítica e passou a dizer que a própria nota da conferência confirmava que era falsa a história de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
O assunto preocupa a campanha às vésperas da votação. Evangélico, Flávio Bolsonaro tenta evitar um desgaste maior entre católicos e, ao mesmo tempo, buscar votos fora de seu eleitorado mais fiel. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os católicos representam quase 57% da população brasileira.
Aliados esperam que o assunto perca força até domingo (4/10). A avaliação é que os desmentidos, as decisões judiciais e as aparições de Flávio voltadas aos católicos possam diminuir o espaço ocupado pela polêmica nos últimos dias antes das urnas.
A polêmica
A polêmica ganhou força na quinta-feira (24/9), depois de um canal de TV mencionar uma suposta mobilização para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Trechos da fala circularam nas redes e passaram a ser usados em publicações que ligavam o assunto a Flávio Bolsonaro.
Horas depois, a emissora corrigiu a informação e pediu desculpas. A TV explicou que a discussão se referia a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli. A proposta retirava de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, mas foi arquivada no ano seguinte.
Galli trabalhou anos depois como assessor especial da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro. Flávio não apresentou e não encampou o projeto.
Depois que o conteúdo se espalhou pelas redes, a campanha procurou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro André Mendonça determinou a retirada de conteúdos que afirmavam que Flávio ou integrantes de sua família pretendiam acabar com o título da santa.
A determinação foi além dos posts levados inicialmente ao TSE e passou a alcançar também novas versões do conteúdo, inclusive memes.
A decisão acabou questionada no Supremo Tribunal Federal (STF). No domingo, o ministro Flávio Dino derrubou a ordem dada por Mendonça. Flávio Bolsonaro reagiu e acionou o ministro Luiz Fux, também do STF, para suspender a decisão de Dino.
Disputa na reta final
- Pesquisa Quaest divulgada nessa segunda (28/9) mostrou Lula com 39% no primeiro turno e Flávio com 34%.
- Em uma eventual segundo turno, os dois aparecem com 42%.
- Na divisão por segmentos, Lula melhorou o desempenho entre mulheres, católicos, eleitores de baixa renda e beneficiários do Bolsa Família.
- Aliados de Flávio dizem, porém, que pesquisas internas indicam estabilidade da candidatura.
Mudança de tom e acenos
Atuando para conter o avanço do caso, Flávio mudou de tom nessa segunda. Durante uma passagem pelo Mercado Municipal de São Paulo, Flávio agradeceu à entidade e afirmou que a manifestação da CNBB confirmava que a história sobre Nossa Senhora era falsa. Na mesma agenda, recebeu de um apoiador uma imagem da santa e posou com ela nas mãos.
À noite, o senador participou do SantoFlow, podcast dirigido ao público católico. O compromisso ocorreu no momento em que a campanha tentava responder à repercussão do caso.
Lideranças evangélicas também entraram na discussão. O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) divulgou uma carta em defesa de Flávio Bolsonaro e acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus apoiadores de usar a história para estimular uma disputa entre católicos e evangélicos.
Na carta, os pastores negam que grupos evangélicos estejam articulando com candidatos para “promover o cancelamento de feriados ou cultos de qualquer religião”. O documento tem entre os signatários os pastores Silas Malafaia, Robson Rodovalho, Estevam Hernandes e Cláudio Duarte.
Voto útil e Sudeste
Enquanto tenta diminuir o desgaste com os católicos, a campanha também concentra esforços em duas frentes para os últimos dias: convencer eleitores de outras candidaturas de direita a antecipar o apoio a Flávio e percorrer os principais colégios eleitorais do Sudeste.
O pedido por voto útil ficou mais explícito nos últimos dias. O senador tem se dirigido principalmente a quem cogita escolhê-lo em um eventual segundo turno, mas pretende votar em outro nome da direita na primeira rodada.
No domingo, durante passagem por Goiânia, Flávio fez o apelo diretamente a esse grupo de eleitores. “Você que está escolhendo uma candidatura diferente de Flávio, está pensando em votar no Flávio no segundo turno, eu peço humildemente: considere já votar em mim no primeiro turno”, afirmou.
São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais também concentram boa parte dos compromissos previstos até a eleição. Flávio abriu a semana em São Paulo e permanece no estado nesta terça-feira (29/9). Na quarta, deve seguir para o Rio e reduzir as agendas públicas para se dedicar à preparação para o debate da TV Globo, marcado para quinta.
Na sexta-feira (2/10), a previsão é de compromissos em Minas Gerais. O sábado (3/10), último dia antes da eleição, deve ser dividido entre Rio e São Paulo. O senador votará no Rio de Janeiro e deve acompanhar a apuração do primeiro turno em Brasília. As informações são de Metrópoles.







