A tentativa do Partido Liberal (PL) de apresentar uma imagem de coesão para as eleições de 2026 no Amazonas sofreu um duro revés nesta semana. O que até então era tratado como divergências de bastidores ganhou contornos públicos e escancarou um racha dentro da legenda presidida no estado pelo ex-deputado federal Alfredo Nascimento.

A crise envolve diretamente a pré-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair, e o deputado estadual Delegado Péricles, dois dos principais nomes do partido no estado. O episódio expôs não apenas divergências políticas, mas também uma disputa de narrativas que ameaça comprometer o discurso de união que o PL tenta construir para enfrentar a corrida eleitoral do próximo ano.

O embate começou após a publicação de uma reportagem da Rede Rios de Comunicação, empresa ligada a Maria do Carmo e ao médico Wellington Lins, abordando a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que autoriza o Governo do Amazonas a utilizar R$ 215 milhões do Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas para custeio de despesas estaduais.

A matéria destacava o papel da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Assembleia Legislativa, presidida por Péricles, no andamento da proposta. O parlamentar reagiu de forma contundente, classificando o conteúdo como tendencioso e afirmando que a publicação induzia a população a acreditar que ele teria poder individual para liberar os recursos.

Nas redes sociais, o deputado fez questão de destacar que a CCJ atua de forma colegiada e que o presidente da comissão sequer participa das votações ordinárias sobre a admissibilidade das matérias.

Mais do que rebater o conteúdo da reportagem, Péricles direcionou críticas ao fato de o veículo pertencer a uma pré-candidata do próprio partido.

“O portal é de uma pré-candidata ao governo do meu partido, e isso é muito ruim para o nosso partido”, afirmou o deputado, em um dos vídeos divulgados nas redes sociais.

A situação se agravou após a divulgação de uma nota oficial assinada por Maria do Carmo e Wellington Lins em defesa da reportagem. O documento reafirma a correção das informações publicadas e sustenta que a matéria tratava exclusivamente do papel institucional exercido pelo parlamentar como presidente da comissão.

Longe de encerrar a polêmica, a manifestação elevou ainda mais a temperatura do confronto. Péricles voltou às redes para afirmar que a nota apenas reforçava o caráter político da publicação e acusou os proprietários do portal de insistirem em uma narrativa que, segundo ele, desinforma a população.

Sinais de desgaste preocupam dirigentes

O embate ocorre em um momento delicado para o PL amazonense. Nos últimos meses, a legenda já vinha enfrentando divergências internas sobre a formação da chapa majoritária para 2026 e sobre os rumos da estratégia eleitoral do partido.

A escolha de Maria do Carmo como principal aposta da sigla para disputar o Governo do Estado não eliminou resistências internas. Pelo contrário. O episódio envolvendo Delegado Péricles evidencia que parte dos quadros do partido não está alinhada ao projeto político defendido pelo grupo que atualmente exerce maior influência dentro da legenda.

Nos bastidores, lideranças admitem que a troca pública de acusações gera desgaste desnecessário e oferece munição para adversários políticos, justamente quando o partido tenta consolidar uma alternativa competitiva para a disputa estadual.

Alfredo Nascimento terá desafio de pacificar legenda

A crise também aumenta a pressão sobre Alfredo Nascimento, presidente estadual do PL. Caberá ao dirigente a missão de evitar que o conflito se transforme em uma guerra interna capaz de comprometer o desempenho eleitoral da sigla.

Com a pré-campanha ganhando ritmo e os grupos políticos se movimentando para a formação de alianças, a capacidade de articulação da direção partidária será colocada à prova.

O episódio demonstra que, apesar do discurso oficial de unidade, o PL amazonense ainda enfrenta desafios para harmonizar interesses, lideranças e projetos políticos distintos dentro da mesma legenda.

Se não houver uma pacificação rápida, a disputa interna poderá se transformar em um dos principais obstáculos da própria pré-candidatura de Maria do Carmo ao Governo do Amazonas.

Leia nota na íntegra

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