Na Amazônia, ensinar também passa por reconhecer os saberes, as vivências e os contextos de quem vive no território. Com esse entendimento, educadores participaram, entre os dias 24 e 27 de março, em Manaus, do I Ciclo do Treinamento Pedagógico – 2026, voltado ao ensino médio no âmbito do projeto “Práticas Pedagógicas Inovadoras para a Melhoria do Ensino Fundamental e Médio na Amazônia Profunda”. A atividade teve como foco a valorização dos saberes amazônicos e o uso de materiais didáticos contextualizados.

Realizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Movimento Bem Maior (MBM), e em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (SEDUC/AM) e o Centro de Mídias de Educação do Amazonas (CEMEAM), o encontro marcou o primeiro ciclo de formação de 2026 voltado ao ensino médio dentro do projeto.

A proposta é apoiar educadores na incorporação, em sala de aula, de referências mais próximas do cotidiano dos estudantes amazônidas, conectando a aprendizagem à cultura local, ao território e às vivências das comunidades.

Para Anne Carolina Marinho Dirani, representante da coordenação do Campo das Águas e das Florestas, a formação reforça a importância de integrar currículo, território e cultura amazônica no processo de ensino. “É um enorme prazer participar de mais essa parceria, que oportuniza uma formação de qualidade voltada às especificidades da nossa Amazônia e do nosso Amazonas. Quando temos uma oportunidade como essa, colaboramos com as informações que temos e unimos o currículo a esse ciclo de formação das práticas pedagógicas. É extremamente importante trabalhar, resgatar e fortalecer a cultura e as especificidades da nossa região e da população que aqui vive”, afirma.

Segundo Paola Rodrigues, consultora técnica responsável pelo componente do projeto na FAS, este primeiro ciclo representa um momento importante de alinhamento metodológico para os profissionais que atuam no ensino mediado por tecnologia. “Hoje realizamos o primeiro ciclo do treinamento pedagógico para professores que já atuam no ensino mediado por tecnologia. O objetivo é fortalecer o entendimento sobre os materiais regionalizados e sobre o território amazônico, para que essas práticas contribuam com o aprendizado e com a construção do conhecimento dos alunos dentro das comunidades”, afirma.

O projeto “Práticas Pedagógicas Inovadoras” já impactou mais de 1.185 educadores em 11 municípios do interior do Amazonas, por meio de ciclos de formação continuada que estimulam a atualização de conhecimentos e o aprendizado de novos métodos e metodologias de ensino. No ensino fundamental, a iniciativa já vem sendo desenvolvida nesses municípios em articulação com as redes municipais de educação. No ensino médio, o projeto também já promoveu ações em comunidades, como o Congresso da Juventude, realizado na comunidade Tumbira no Iranduba.

Entre os participantes, a avaliação é de que a formação contribui para qualificar o trabalho pedagógico a partir das especificidades do território. O professor Dário Pinheiro, ministrante do componente curricular de Sociologia no Centro de Mídias de Educação do Amazonas, destacou o potencial da iniciativa para enriquecer diferentes componentes curriculares ao considerar os saberes, as vozes e os contextos do estado.

“Essa formação amplia o nosso olhar sobre a Amazônia e sobre as múltiplas realidades dos estudantes. Quando esses elementos entram no processo de ensino, os conteúdos ganham mais sentido e contribuem para uma educação mais conectada com o território”, diz.

Para Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS, iniciativas que aproximam o conteúdo escolar da realidade dos territórios ampliam o impacto da aprendizagem e fortalecem a relação dos estudantes com suas comunidades. “Quando a educação dialoga com o território, ela se torna mais significativa. O projeto apoia educadores para que o ensino valorize a cultura local, a floresta e as vivências dos estudantes. Experiências como essas mostram como a escola pode fortalecer o pertencimento e o cuidado com o futuro da Amazônia”, afirma.

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

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