
Cerca de 1.000 pessoas foram detidas na França no sábado (24) durante uma nova onda de protestos contra problemas econômicos e sociais. As manifestações ocorreram em diversas cidades do país, reunindo pessoas insatisfeitas com o custo de vida, a crise habitacional e a falta de recursos para áreas como a educação.
Embora a maioria dos atos tenha ocorrido de forma pacífica, houve confrontos entre manifestantes e forças de segurança em cidades como Marselha, Bordeaux e Paris. Apesar dos episódios de violência, as autoridades avaliaram que os incidentes foram menos intensos do que os registrados no fim de semana anterior.
Segundo o Ministério do Interior francês, aproximadamente 410 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país, sendo cerca de 110 mil na capital, Paris. Para conter possíveis distúrbios, as autoridades mobilizaram aproximadamente 70 mil policiais, além de unidades especiais, helicópteros e veículos blindados.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que a operação de segurança buscou impedir deslocamentos não autorizados e evitar saques a estabelecimentos comerciais. Ele também relatou o lançamento de projéteis e fogos de artifício contra agentes de segurança.
Protestos se espalham pela Europa
A onda de manifestações também atingiu outros países europeus, com reivindicações relacionadas ao aumento dos preços, à moradia e aos serviços públicos.
Na Espanha, dezenas de milhares de pessoas marcharam em Madri no sábado para defender as pensões públicas, segundo a emissora RTVE. Em Barcelona, 128 pessoas foram detidas após episódios de tumultos e saques.
De acordo com Núria Parlon, secretária de Assuntos Internos da Catalunha, cerca de 600 pessoas se reuniram no centro de Barcelona sem participar diretamente de uma manifestação organizada. A polícia registrou incêndios, vitrines quebradas e tentativas de invasão de estabelecimentos comerciais.
Ao todo, 23 lojas foram vandalizadas na região central da cidade. Quatorze policiais ficaram feridos, quatro deles em estado grave, segundo as autoridades locais.
Em Portugal, a polícia informou ter desmantelado acampamentos montados em áreas centrais de Lisboa e do Porto por pessoas que protestavam contra a crise habitacional.
Na Itália, as manifestações contra o custo de vida e a guerra tiveram adesão inferior à esperada. Mesmo assim, autoridades reforçaram a segurança em cidades como Roma, Milão e Nápoles. Em Turim, Bolonha e Florença, também foram registrados confrontos entre manifestantes e policiais.
Confrontos em outras capitais
Na capital da Albânia, Tirana, manifestantes que cobravam mais investimentos em educação e a renúncia do primeiro-ministro incendiaram lixeiras e lançaram pedras e artefatos contra as autoridades.
Em Bruxelas, na Bélgica, estudantes organizaram atos com cartazes e barricadas nas ruas. A polícia utilizou um veículo com jato de água para dispersar a multidão.
Os episódios demonstram a diversidade das reivindicações que mobilizam diferentes grupos na Europa, embora a insatisfação com as condições econômicas e o acesso à moradia apareça entre os temas recorrentes.
Segurança reforçada na França
Em Paris, a maior parte da mobilização ocorreu pacificamente, mas confrontos foram registrados no fim de uma marcha na região da Porte de Vincennes. A polícia utilizou gás lacrimogêneo e canhões de água para conter grupos de manifestantes.
Em Marselha, houve relatos de saques a estabelecimentos comerciais, incluindo uma joalheria e um supermercado. Em Bordeaux, imagens mostraram agentes utilizando gás lacrimogêneo contra manifestantes na Place de la Bourse.
Na cidade de Nice, ativistas de extrema-direita teriam atacado pessoas que participavam pacificamente dos protestos.
Diante da possibilidade de novas mobilizações, o líder do partido de esquerda França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, afirmou que os protestos poderão continuar caso o presidente Emmanuel Macron não responda às reivindicações.
Mélenchon também alertou para a possibilidade de novas manifestações nacionais em 5 de novembro, caso o governo não apresente respostas às demandas dos participantes.







