Pixabay

Os principais aplicativos de encontro da França assinaram um acordo com o governo para ajudar a combater “emboscadas homofóbicas”, depois que foi registrado um caso a cada quatro dias em 2024, informou nesta quarta-feira, 25 de março, o Ministério da Igualdade e da Luta contra a Discriminação do país.

O acordo estabelece medidas para melhorar a denúncia de casos, o compartilhamento de dados e a segurança dos usuários, segundo as informações divulgadas pela pasta.

Os aplicativos de paquera Tinder, Grindr, Bumble e Happn assinaram a carta juntamente com as organizações sem fins lucrativos SOS Homophobie, Stop Homophobie, Le Refuge e Flag!, explicou Aurore Bergé, ministra da Igualdade, em comunicado.

Três prioridades do acordo

A “carta para a prevenção da violência e a segurança das pessoas LGBTQ+” estabelece “compromissos concretos em torno de três prioridades: prevenir, denunciar e proteger”, de acordo com o ministério.

Os casos de agressão são variados, mas costumam seguir uma mesma linha: as vítimas são atraídas por perfis fakes, levadas a encontros sob falsos pretextos e, em seguida, atacadas por causa de sua orientação sexual.

“As emboscadas homofóbicas não são ‘encontros que deram errado’. São atos de violência. Elas têm alvo, agridem, humilham, insultam. Deixam marcas indeléveis. A França se torna o primeiro país do mundo a envolver as plataformas de encontros para erradicar essa violência”, escreveu Aurore Bergé na rede social X nesta quarta-feira.

Dados compartilhados e ferramentas mais seguras

Com o acordo firmado, as plataformas prometem melhorar suas ferramentas para denunciar ameaças ou essas emboscadas. Elas também manterão os dados para que possam ser repassados às autoridades policiais, mesmo após a exclusão dos perfis, e trabalharão de forma próxima às autoridades para “identificar e processar os autores”, afirmou o ministério.

A carta também compromete as plataformas a promover o uso de perfis verificados. O Ministério da Igualdade da França descreveu o acordo como “um compromisso coletivo sem precedentes entre autoridades públicas, plataformas digitais, associações e autoridades policiais”.

Violência organizada e premeditada

Em entrevista à revista francesa Têtu, voltada ao público LGBTQ+, Aurore Bergé afirmou que a França está se tornando “o primeiro país do mundo a estabelecer esse nível de cooperação” com as plataformas sobre o assunto.

“Ferramentas criadas para promover encontros e conexões não podem mais ser desviadas para armar armadilhas e organizar o ódio”, acrescenta.

A ministra da Igualdade também disse que esses tipos de ataques costumam ser premeditados e que o objetivo do governo francês com o acordo é justamente fortalecer a prevenção e a denúncia, através do trabalho conjunto com as plataformas.

“Essas emboscadas não são agressões comuns. São motivadas pela fobia contra a comunidade LGBTQ+, são atos de violência organizada que têm como alvo essas pessoas, simplesmente por serem LGBTQ+”, explicou Bergé.

“O ambiente digital facilita a ação. Por trás de uma tela, os agressores acham que podem escapar da justiça. Isso é falso”, pontuou Bergé à revista.

Medidas de reforço

A ministra afirmou ainda que a coordenação entre os aplicativos e as autoridades policiais seria simplificada, as proibições seriam reforçadas para impedir que usuários excluídos se cadastrassem novamente e a cooperação entre as plataformas seria melhorada.

O acordo representa um marco importante na proteção de pessoas LGBTQ+ no ambiente digital, estabelecendo um modelo de cooperação que pode servir de referência para outros países enfrentarem desafios similares.

Com informações de Metrópoles

Artigo anteriorComandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica é morto em ataque em Bandar Abbas
Próximo artigoPolícia prende “Zeca Urubu”, bandido que aterrorizava o Rio de Janeiro