O Boi-Bumbá Garantido e o Grupo Folclórico Ciranda Rosa de Ouro anunciaram o afastamento imediato de Felipe Júnior, de 37 anos, após ele ser preso pela Polícia Civil do Amazonas sob acusação de estupro de vulnerável contra uma criança que atualmente tem 10 anos, em Manaus.

Conhecido por atuar como animador do Garantido e também como apresentador de ciranda, Felipe é investigado por abusos que teriam ocorrido durante quatro anos, segundo informações apuradas pelas autoridades. De acordo com a investigação, os crimes teriam começado quando a vítima tinha apenas 6 anos, período em que o suspeito mantinha um relacionamento com a mãe da criança, o que teria permitido maior proximidade com a família.

Garantido confirma desligamento do quadro de animadores

Em nota assinada pelo presidente Fred Góes, o Boi Garantido confirmou que Felipe Júnior foi desligado imediatamente e não possui mais qualquer vínculo artístico ou institucional com o bumbá da Baixa do São José.

A associação destacou repúdio total a qualquer tipo de violência contra crianças e adolescentes. “Repudiamos de forma veemente qualquer conduta que viole direitos fundamentais, especialmente aquelas que atentem contra a integridade e a dignidade de crianças e adolescentes”, afirmou a diretoria.

Ciranda Rosa de Ouro anuncia exclusão do apresentador

A Ciranda Rosa de Ouro, onde Felipe atuava há cerca de quatro anos, também anunciou a exclusão do investigado de suas atividades. Em nota oficial, o grupo classificou a conduta atribuída ao suspeito como inadmissível e incompatível com os valores da agremiação, além de manifestar solidariedade à vítima e à família.

Denúncia e investigação na Depca

Conforme a delegada Mayara Magna, o caso começou a ser apurado após a mãe da vítima procurar a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) e relatar que encontrou mensagens de teor sexual enviadas pelo suspeito para a filha.

A criança foi ouvida em depoimento especial e relatou que não gostava do homem, atribuindo o desconforto aos episódios ocorridos na infância.

“A criança contou que ele praticou atos libidinosos contra ela quando tinha 6 anos, durante um final de semana em que esteve na residência do autor. Ela disse que, por medo, não contou à mãe o que teria acontecido; alegou que tinha se machucado e acabou chorando por isso”, informou a delegada.

Suspeito teria retomado contato e feito pedidos

Ainda segundo a autoridade policial, após anos sem convivência, o investigado teria voltado a fazer contato por telefone, enviando imagens íntimas e chegando a solicitar fotos da criança em troca de dinheiro.

Com base nos elementos reunidos, a polícia solicitou à Justiça a prisão preventiva, cumprida nas primeiras horas desta segunda-feira. Em interrogatório, Felipe teria afirmado que achava estar conversando com a mãe da criança, mas a delegada destacou um detalhe que chamou atenção na apuração.

“Ele salvou o número no telefone da vítima com o nome dela e, ao lado, a palavra ‘filha’”, explicou.

Felipe Júnior foi encaminhado para uma unidade prisional e segue à disposição da Justiça. O caso continua sob investigação.

Por se tratar de crime contra criança, informações que possam identificar a vítima foram preservadas, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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