
O governo federal iniciou, nesta terça-feira (21/7), a primeira rodada de reuniões com representantes dos setores afetados pela nova tarifa de 25% imposta aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos. A nova tarifa de 25% imposta pelo governo Trump entra em vigor na próxima quarta-feira (22/7).
Entre os compromissos da manhã, está uma reunião do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, com representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
O encontro na vice-Presidência é o primeiro com agenda pública nesta terça, no entanto, o governo deve ouvir outros setores. Entre os produtos taxados, estão: etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, produtos químicos diversos, papel, açúcar e outros.
À tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne com os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa.
Na quinta-feira (16/7), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o governo federal vai lançar programa de apoio para os setores econômicos que forem prejudicados pelo tarifaço.
“O governo terá um programa de apoio aos que aqui estão labutando, trabalhando e que tenham problemas”, disse.
Entre as medidas avaliadas, estão a ampliação dos instrumentos do Plano Brasil Soberano, o apoio financeiro às empresas e o reforço das ações de promoção comercial para a abertura de novos mercados.
Impacto
A nova tarifa de 25% aos produtos brasileiros afeta US$ 7,2 bilhões das exportações brasileiras para os norte-americanos.
Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 38 bilhões. Conforme o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, com base nos dados do ano passado, a agência estima o impacto sobre os US$ 7,2 bilhões (18,9%).
O presidente da Apex anunciou o investimento de R$ 130 milhões que serão aplicados em um plano de diversificação a ser anunciado em agosto deste ano. O projeto será conduzido por meio de investimentos públicos e privados.
Tarifa
A nova tarifa de 25% foi deliberada após a conclusão de investigações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) acerca de supostas “práticas desleais” do Brasil que prejudicariam empresas e exportadores norte-americanos.
- Para impor, a tarifa, o USTR cita como motivos para a medida tarifas preferenciais injustas adotadas pelo Brasil em relação a outros países, falhas no combate à corrupção, desleixo com a proteção da propriedade intelectual, dificuldades impostas para o acesso, pelos norte-americanos, ao mercado de etanol e falta de eficácia no combate ao desmatamento ilegal.
O documento faz ainda uma série de críticas ao Pix e ao Banco Central do Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos aponta que o Pix cria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital.
“Esta ação é resultado de uma investigação de um ano que constatou que várias práticas do Brasil são desarrazoadas e discriminatórias, restringindo a posição competitiva de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos”, alegou o USTR.
Entre os itens que não serão taxados, se destacam, por exemplo, alimentos como café, mel orgânico, açaí, carne bovina, laranja, terras-raras e outros. Com Metrópoles.







