A pedido de Milei, em agosto de 2024 o Brasil assumiu a representação diplomática da Argentina em território venezuelano. Na época, as equipes de pelo menos outros cinco países foram expulsas pelo regime de Nicolás Maduro, em razão do não reconhecimento da reeleição do ditador chavista.
A bandeira brasileira estava hasteada no prédio da Embaixada da Argentina em Caracas desde então, e o governo do Brasil fazia a proteção e a segurança do prédio.
De acordo com integrantes da diplomacia brasileira, a decisão do governo Lula foi tomada pela necessidade de “reorganizar” o trabalho da embaixada em um “novo contexto” no país, e que a Argentina tem “outras opções” para assumir a gestão.
Fontes apontam que a tarefa do Brasil no local foi cumprida, sobretudo em relação à defesa da integridades de assessores de María Corina Machado, opositora de Maduro. Após as eleições de 2024 na Venezuela, cinco assessores de Corina foram asilados na embaixada argentina em Caracas. Eles permaneceram no local por mais de 400 dias, até que, em maio de 2025, uma operação em parceria com os Estados Unidos conseguiu retirá-los do local.
A ação do governo do do Brasil, porém, aconteceu dias após Milei publicar um trecho de seu discurso na 67ª Cúpula do Mercosul — que aconteceu em 20 de dezembro em Foz do Iguaçu (PR) — quando associou Lula a Maduro. A postagem foi feita no sábado passado (3/1), dia em que os EUA bombardeou a Venuela e capturou o líder venezuelano e a esposa, Cilia Flores.
Nela, Milei compartilhou trechos do discuro e, na edição, adicionou uma foto de Lula abraçado com Maduro. No vídeo, o argentino afirma que a “ditadura atroz e inumana” não pode continuar existindo “no continente, ou acabará arrastando todos” e parabeniza os EUA e o presidente Donald Trump pela pressão para “libertar o povo Venezuelano”.
Os dois líderes sul-americanos divergem abertamente sobre as tensões no continente. Enquanto Lula condenou a ação norte-americana e continua defendendo uma solução pacífica para o encontro, Milei celebrou o ataque e intervenção de Trump na Venezuela. Com Metrópoles.