Ataque de drones atinge sede de grupo curdo iraniano de oposição no Curdistão do Iraque, dizem fontes de segurança, em 4 de março de 2026 • Reuters

Importantes rotas humanitárias aéreas, marítimas e terrestres estão sendo restringidas por interrupções causadas pela guerra no Oriente Médio, atrasando o envio de ajuda que salva vidas em algumas das piores crises do mundo, disseram 10 autoridades humanitárias à Reuters.

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou em seu sétimo dia nesta sexta-feira (6), abalando mercados globais e interrompendo cadeias de suprimento com fechamentos de espaço aéreo e a paralisação do tráfego marítimo pelo crucial Estreito de Ormuz.

A ajuda destinada a Gaza e ao Sudão está praticamente paralisada, enquanto os custos aumentam rapidamente para socorrer centenas de milhões de pessoas que enfrentam crises de fome ao redor do mundo.

“Pessoas que precisam urgentemente de assistência terão de esperar mais tempo por comida”, disse Jean-Martin Bauer, diretor de Segurança Alimentar do Programa Mundial de Alimentos (WFP).

Já tendas, lonas e lâmpadas destinadas aos territórios palestinos ocupados de Gaza e da Cisjordânia ficaram presas na cadeia logística, informou a Organização Internacional para Migrações (OIM).

Hub humanitário de Dubai

Grupos de ajuda afirmam que o aumento dos custos operacionais está pressionando orçamentos já afetados por grandes cortes de doadores. A OIM disse que empresas de transporte estão exigindo sobretaxas emergenciais de cerca de US$ 3.000 (cerca de R$ 15.732,30) por contêiner.

Organizações humanitárias que armazenam suprimentos para resposta rápida regional nos armazéns do Hub Humanitário de Dubai enfrentam dificuldades para transportar os produtos pelas rotas de trânsito.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) não consegue enviar kits de trauma para ajudar o Crescente Vermelho iraniano nas operações de busca e resgate. Os equipamentos estão armazenados no hub de Dubai como parte de um estoque emergencial avaliado em 10 milhões de francos suíços (US$ 13 milhões, ou cerca de R$ 68,1 milhões), disse Cecile Terraz, diretora da organização.

A entidade também não consegue enviar cargas pelo porto de Jebel Ali, o maior terminal de contêineres da região, que pegou fogo após destroços de um míssil interceptado. Normalmente, as cargas seguem dali por avião ou pelo Estreito de Ormuz.

As operações do hub da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Dubai também estão congeladas, disse a diretora regional Hanan Balkhy, o que bloqueia 50 pedidos emergenciais de 25 países e prejudica operações como campanhas de vacinação contra a pólio.

Efeitos espalhados pelo mundo

Os impactos da crise podem se espalhar ainda mais.

O Sudão, que enfrenta fome extrema, está particularmente exposto devido às restrições adicionais desde 28 de fevereiro no Canal de Suez e no estreito de Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho, informou o ACNUR.

“Estamos particularmente preocupados com a África”, disse uma porta-voz da agência, acrescentando que algumas cargas estão sendo enviadas contornando o Cabo da Boa Esperança, uma rota que pode levar até três semanas a mais.

Os custos de combustíveltransporte e seguros também estão subindo, e Terraz afirmou que a IFRC pode ser obrigada a reduzir as entregas ao Crescente Vermelho iraniano.

Com informações de CNN Brasil.

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