
O Hezbollah disparou cerca de 30 foguetes contra o norte de Israel nesta quarta-feira em resposta a bombardeios israelenses no sul de Beirute. Os ataques ocorrem um dia após a primeira rodada de negociações diretas entre Israel e o Líbano em Washington em mais de 30 anos, com objetivo de alcançar uma paz duradoura na região.
Israel intensificou suas operações militares, lançando novos alertas para que civis deixem o sul do Líbano. O porta-voz das Forças Armadas israelenses, coronel Avichay Adraee, informou que ataques aéreos contra o Hezbollah estão em andamento e o Exército opera com intensidade na região, pedindo que moradores se dirijam para o norte do rio Zahrani, a dezenas de quilômetros da fronteira.
Segundo a agência oficial libanesa, dois carros foram atingidos em rodovias a cerca de 20 quilômetros ao sul de Beirute, em áreas que não são redutos do Hezbollah. Desde os ataques massivos de 8 de abril que deixaram mais de 350 mortos, Israel não havia bombardeado a capital libanesa devido a pressões diplomáticas.
O Hezbollah reivindicou disparos contra dez localidades do norte de Israel próximas à fronteira. O conflito regional intensificou-se desde 2 de março, quando o grupo começou a disparar contra Israel em retaliação aos bombardeios israelenses contra o Irã. Os ataques israelenses contra o sul do Líbano já deixaram 2.124 mortos e mais de um milhão de deslocados.
Apesar da escalada militar, as negociações em Washington marcaram um passo histórico. Israel e o Líbano aceitaram iniciar um ciclo de discussões diretas para estabelecer paz duradoura, conforme confirmado pelo Departamento de Estado americano. O secretário de Estado Marco Rubio indicou que o objetivo é definir um marco para construir essa paz.
O embaixador israelense Yechiel Leiter afirmou estar “do mesmo lado e unido em vontade de libertar o Líbano do Hezbollah”. A embaixadora libanesa Nada Hamadeh Moawad adotou tom mais cauteloso, descrevendo o encontro como produtivo e solicitando a aplicação do acordo de novembro de 2024 que previa o desarmamento do Hezbollah, nunca concretizado.
O Hezbollah foi grande ausente das negociações, rejeitando as discussões e continuando a atacar Israel. Os Estados Unidos reafirmaram o direito israelense de se defender e rejeitaram o pedido do Irã para que o cessar-fogo de duas semanas se estenda também ao sul do Líbano.
Em crítica pouco diplomática, o embaixador israelense rejeitou qualquer participação da França nas negociações. “Não queremos ver os franceses se intrometendo nessas negociações. Gostaríamos de manter os franceses o mais longe possível de praticamente tudo, especialmente quando se trata de negociações de paz”, declarou Yechiel Leiter.
Com informações de Metrópoles







