O vazamento de estireno registrado no Distrito Industrial de Manaus levou o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam) a reforçar as orientações à população sobre os riscos da exposição ao produto químico. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), que funciona na unidade hospitalar, registrou um aumento expressivo na procura por informações desde o acidente e alerta que a principal medida é interromper imediatamente o contato com o gás.

Segundo o hospital, a maior parte das ligações recebidas nas últimas horas é de pessoas preocupadas com familiares, colegas de trabalho e moradores das áreas próximas ao vazamento, em busca de orientações sobre como agir diante dos sintomas provocados pela inalação do estireno.

HUGV alerta: não existe antídoto para o estireno

A chefe da Unidade de Farmácia Clínica do HUGV e responsável pelo CIATox, Sangely Mendonça, destacou que o tratamento para pessoas expostas ao estireno é baseado apenas no controle dos sintomas.

“Não existe antídoto para essa substância. O tratamento é sintomático e de suporte, ou seja, depende dos sintomas apresentados pelo paciente. Se houver falta de ar ou desconforto respiratório persistente, é fundamental procurar um serviço de pronto atendimento para avaliação e, se necessário, realização de oxigenoterapia e outras medidas de suporte”, explicou.

O estireno é utilizado na fabricação de plásticos, resinas e borrachas e pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dificuldade respiratória, tontura, náuseas e dor de cabeça.

Primeira medida é deixar imediatamente a área contaminada

De acordo com a especialista, quem estiver em uma área com presença do gás deve sair imediatamente do local e buscar um ambiente aberto e ventilado.

Caso a exposição tenha atingido os olhos ou a pele, a recomendação é lavar as áreas afetadas com água corrente em abundância. Se as roupas estiverem contaminadas, elas devem ser retiradas o mais rápido possível para diminuir o contato com a substância.

Sintomas graves exigem atendimento imediato

O HUGV orienta que pessoas que apresentarem dificuldade para respirar, sensação intensa de falta de ar, dor forte no peito ou desmaios procurem atendimento médico imediatamente ou acionem o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192.

Segundo Sangely Mendonça, o desconforto respiratório é um dos sintomas mais comuns observados logo após a exposição ao estireno, acompanhado frequentemente de irritação nos olhos, nariz e garganta.

Hospital orienta população sobre o que não fazer

Entre as principais recomendações do CIATox está evitar a automedicação.

O hospital alerta que medicamentos utilizados sem orientação médica podem mascarar sintomas ou dificultar a avaliação clínica do paciente.

Outra orientação é não permanecer em áreas onde ainda exista concentração do produto químico, mesmo que os sintomas pareçam leves, pois a continuidade da exposição pode agravar o quadro.

A especialista também esclarece que máscaras convencionais utilizadas pela população não oferecem proteção contra gases tóxicos como o estireno.

“Existem equipamentos específicos utilizados em ambientes industriais, mas eles não fazem parte da rotina da população”, explicou.

Hospital cria plano de contingência

Diante da ocorrência, o Hospital Universitário Getúlio Vargas aprovou um Plano de Contingência para Exposição Acidental a Gás Tóxico (Estireno).

O documento estabelece protocolos para garantir uma resposta rápida caso haja aumento no número de pessoas contaminadas, protegendo pacientes, acompanhantes, profissionais de saúde e visitantes.

Segundo o superintendente em exercício do HUGV-Ufam, André Mourão, a criação de um Comitê de Crise permitirá que o hospital atue de forma organizada diante de possíveis novos episódios envolvendo produtos químicos.

CIATox funciona 24 horas

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) permanece disponível durante 24 horas para orientar tanto a população quanto profissionais de saúde sobre casos de intoxicação por produtos químicos, medicamentos e outras substâncias tóxicas.

Além de prestar informações à comunidade, o serviço também oferece suporte técnico a médicos e demais profissionais responsáveis pelo atendimento de pacientes expostos ao estireno.

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