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Anticorpos desenvolvidos contra o Sars-CoV-2 podem neutralizar alguns coronavírus encontrados em morcegos e relacionados ao vírus causador da Covid-19. A descoberta aparece em um estudo publicado na quinta-feira (1º/10) na revista científica PLOS Biology.

Pesquisadores do Instituto Pirbright e do King’s College London, no Reino Unido, investigaram os sarbecovírus, grupo de coronavírus que inclui o Sars-CoV-1 e o Sars-CoV-2.

Em testes de laboratório, a equipe analisou proteínas spike de 15 sarbecovírus e a capacidade delas de utilizar receptores ACE2 de 16 espécies de morcegos e de outros mamíferos, incluindo humanos.

Os resultados mostraram que alguns vírus, especialmente os evolutivamente mais próximos do Sars-CoV-1 e do Sars-CoV-2, conseguem utilizar receptores de diferentes espécies. Isso, porém, não significa que sejam capazes de infectar ou se disseminar entre humanos, já que a entrada na célula representa apenas uma das etapas necessárias para uma infecção.

Anticorpos apresentaram proteção cruzada em laboratório

Os pesquisadores também avaliaram amostras de pessoas que tiveram Covid-19. Os anticorpos apresentaram maior capacidade de neutralização contra sarbecovírus próximos ao Sars-CoV-2, embora alguma atividade tenha sido identificada contra vírus mais distantes.

Anticorpos monoclonais obtidos de pessoas vacinadas que posteriormente tiveram Covid também foram analisados. Três deles demonstraram neutralização mais ampla, ajudando os pesquisadores a identificar regiões da proteína spike que poderão ser estudadas no desenvolvimento de futuras vacinas e tratamentos.

Os resultados levantam a possibilidade de que a imunidade já existente na população represente uma barreira parcial contra determinados sarbecovírus. O estudo, entretanto, foi realizado em condições laboratoriais e não demonstra que as atuais vacinas contra a Covid-19 protejam pessoas de infecções por coronavírus de morcegos.

Os autores destacam a importância de manter a vigilância sobre vírus encontrados em animais e investigar estratégias capazes de oferecer proteção mais ampla contra possíveis ameaças futuras.

Com informações de Metrópoles

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