O presidente da Fifa, Gianni Infantino, determinou uma avaliação das propostas para ampliar a distribuição de recursos às associações nacionais de futebol. A medida ocorre após Uefa e Concacaf defenderem o repasse de US$ 2,1 bilhões, cerca de R$ 11,2 bilhões, das reservas da entidade.

Em carta enviada aos seis presidentes das confederações continentais, e vista pela Reuters nesta segunda-feira (28), Infantino informou que a análise deverá ser apresentada ao Conselho da Fifa em 15 de outubro. Qualquer pagamento adicional dependerá de avaliação financeira e aprovação pelos órgãos competentes.

“Até que a avaliação e as aprovações necessárias sejam concluídas, nenhum valor preliminar poderá ser tratado como um compromisso aprovado com as Associações-Membro”, escreveu Infantino.

Uefa e Concacaf propõem mínimo de US$ 10 milhões

Os presidentes da Uefa, Aleksander Čeferin, e da Concacaf, Victor Montagliani, propuseram neste mês que cada uma das 211 associações-membro da Fifa receba pelo menos US$ 10 milhões no ciclo de 2027 a 2030.

O valor seria adicional aos recursos já previstos nos programas de desenvolvimento da entidade. A proposta também inclui uma revisão independente das reservas financeiras da Fifa.

A discussão ocorre após a Fifa apresentar, em julho, o projeto FIFA Forward Enterprise, que previa ampliar os recursos destinados ao desenvolvimento do futebol. Na proposta divulgada pela própria entidade, o financiamento do programa FIFA Forward passaria de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões por associação no ciclo 2027-2030, caso o projeto fosse aprovado.

Fifa avalia capacidade financeira

As confederações argumentam que a entidade possui reservas suficientes para ampliar os repasses. A proposta apresentada por Uefa e Concacaf considera reservas projetadas em aproximadamente US$ 6 bilhões ao fim de 2026.

Infantino, por sua vez, afirmou que a análise deverá considerar a capacidade financeira da Fifa, além da necessidade de preservar recursos suficientes para cumprir compromissos futuros e manter a estabilidade financeira da organização.

A Fifa já informou oficialmente que mantém 211 associações-membro e que os recursos do programa Forward são destinados a projetos de desenvolvimento em diferentes áreas do futebol.

Infantino defende projeto comercial abandonado

Na carta, o presidente da Fifa também voltou a defender o projeto comercial FIFA Forward Enterprise, retirado após oposição de diferentes confederações.

Segundo Infantino, a iniciativa teria como objetivo gerar novas receitas para ampliar os investimentos no futebol, sem substituir os recursos que poderiam ser distribuídos a partir das reservas existentes.

A proposta havia sido apresentada pela Fifa como uma forma de explorar comercialmente direitos e operações relacionados às competições da entidade. O plano, porém, provocou resistência entre confederações e associações nacionais.

Conselho decidirá sobre eventual distribuição

A avaliação determinada por Infantino deverá analisar os modelos financeiros apresentados pelas confederações, suas premissas e os dados utilizados para justificar o aumento dos repasses.

O Conselho da Fifa deverá definir, caso a proposta avance, o valor dos pagamentos, o calendário de distribuição, os critérios de elegibilidade e os mecanismos de prestação de contas e auditoria.

A expectativa é que uma recomendação seja apresentada na reunião marcada para 15 de outubro, desde que os dados necessários estejam disponíveis. Caso contrário, o órgão deverá estabelecer um novo cronograma para concluir a análise.

Infantino não antecipa valores

Infantino afirmou que não pretende antecipar quanto poderá ser distribuído às associações nacionais.

“Não vou antecipar o valor. Vou apoiar o maior nível de financiamento adicional que possa ser entregue de forma responsável por meio do processo adequado de governança da Fifa”, escreveu.

A discussão ocorre em um momento de debate sobre a governança e a distribuição dos recursos da Fifa, após diferentes federações questionarem decisões recentes da administração da entidade.

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