
O cenário de juros altos e elevado endividamento da população não tira a disposição da população em celebrar o Dia das Mães com a oferta de presentes. A intenção de compras para a data é a mais alta desde 2014, atingindo 85,7%. O resultado apresenta também alta em relação ao ano anterior, quando o índice foi de 84,3%.
A constatação é de levantamentos do Instituto Brasileiro de Economia vinculado à Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Conforme o Ibre FGV, a intenção de compra se divide em: gastar mais (10,1%), a mesma coisa (65,6%) e gastar menos (24,3%).
“A quinta alta consecutiva do indicador de intenção de compras no Dia das Mães reflete a manutenção do nível de emprego e da renda e do controle da inflação, que permitem algum espaço no orçamento das famílias para compras na data comemorativa a despeito do nível elevado de endividamento das famílias brasileiras no momento”, avalia a pesquisadora e economista do FGV Ibre, Anna Carolina Gouveia.
O Brasil tem 82,8 milhões de endividados, o que representa 49% da população adulta. O número foi divulgado pela Serasa na última terça-feira, um dia após o governo federal lançar programa para reduzir esse contingente: o Desenrola 2.0.
O item com maior preferência para presente é o vestuário, com 36,5% das respostas, o que representa aumento em relação ao ano passado, quando esta preferência foi de 32,7%. Na sequência aparecem itens de perfumaria e cosméticos (20,6%), flores (5,1%), calçados (4,0%), itens para casa (3,7%), gastronomia (11,7%), livros (3,6%), dinheiro (4,3%), eletrônicos (1,4%), lazer (2,3%) e outros (6,8%).
A opção gastronomia inclui almoço, jantar, lanche, cesta de café da manhã, entre outros. Já o item lazer diz respeito a passeios, viagens, cinema, teatro, show, dia em spa, entre outros.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estima que o volume de vendas do comércio voltado para o Dia das Mães deve atingir R$ 14,47 bilhões neste ano. A projeção é 1,5% superior ao faturamento da data do ano passado.
O Comércio considera o Dia das Mães como o Natal do primeiro semestre do varejo. A data comemorativa é a segunda mais relevante no ano para o setor.
Presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros mantém um otimismo conservador em relação ao faturamento para o restante do ano. “Embora o setor apresente um avanço quando comparado com 2025 e a previsão de mais de 25 mil trabalhadores temporários, é preciso observar com cuidado o ritmo de crescimento do varejo nos próximos meses. A alta do combustível, com os reajustes que ela traz, e a revisão das projeções de menor queda para a taxa Selic trarão cautela em todos os setores da economia”, analisa Tadros.
Com informações de Metrópoles







