
O Conselho dos Guardiões da Revolução Islâmica e o Parlamento do Irã aprovaram um projeto de lei que suspende completamente a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão nuclear da ONU, em resposta aos recentes bombardeios de Israel e dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas.
Apesar da ratificação interna, a AIEA informou nesta quinta-feira (26/6) que ainda não recebeu nenhuma comunicação oficial do Irã sobre a suspensão. A medida, se confirmada, pode gerar uma nova crise internacional de segurança nuclear.
“A presença da AIEA no Irã não é uma concessão, mas uma responsabilidade internacional prevista no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP)”, declarou o diretor da agência, Rafael Grossi, em entrevista à rádio francesa RFI.
O que diz o Irã
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O Parlamento aprovou a suspensão por ampla maioria: 221 votos a favor, nenhum contra e uma abstenção.
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A decisão impede acesso de inspetores, envio de relatórios e qualquer cooperação técnica com a AIEA.
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Segundo o presidente do Legislativo, Mohammad Qalibaf, a medida valerá “até que a segurança das instalações e dos cientistas iranianos seja garantida”.
Contexto e tensões crescentes
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As relações entre Irã e AIEA já estavam deterioradas antes dos ataques de 13 de junho.
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Os locais atingidos incluem três centrais estratégicas: Natanz, Isfahan e Fordow, que concentram as principais atividades de enriquecimento de urânio do país.
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Grossi afirmou que os danos causados são “muito, muito, muito consideráveis”, e que avaliações técnicas continuam em andamento.
Consequências geopolíticas
Se confirmada, a suspensão da cooperação:
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Viola diretamente as obrigações do Irã no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
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Enfraquece o regime internacional de verificação nuclear, abrindo espaço para especulações sobre o avanço do programa atômico iraniano com fins militares.
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Pode acirrar ainda mais o conflito com países ocidentais, especialmente os EUA, e tensionar as relações diplomáticas com a ONU e seus aliados.
Próximos passos
A medida ainda precisa ser oficialmente confirmada pela Presidência iraniana, mas já é considerada um forte sinal de desafio internacional por parte de Teerã.
Com informações de Metrópoles







