
O Irã afirmou nesta segunda-feira (27) que continua exercendo controle sobre o Estreito de Ormuz e descartou, por enquanto, a retomada das negociações de paz com os Estados Unidos. A declaração foi feita após o presidente norte-americano, Donald Trump, suspender uma campanha de bombardeios que durou duas semanas e teve como alvo posições iranianas na região.
Segundo o governo iraniano, os ataques de Teerã também foram interrompidos após a suspensão das ofensivas americanas. No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que o país não solicitou a reabertura das negociações com Washington, contrariando declarações de autoridades dos Estados Unidos de que a pausa nos bombardeios abriria espaço para uma solução diplomática.
A decisão de interromper os ataques foi tomada por Trump após recomendação de comandantes militares dos Estados Unidos. De acordo com autoridades americanas, os principais objetivos da operação haviam sido alcançados e os militares avaliavam que a campanha havia chegado ao limite de sua eficácia. Entre os fatores apontados estavam a redução de alvos estratégicos disponíveis e a preocupação com o consumo acelerado de sistemas de defesa aérea utilizados para proteger bases norte-americanas na região.
A suspensão dos bombardeios provocou uma forte reação no mercado internacional de petróleo. Com a expectativa de normalização do fluxo de exportações, o barril do petróleo Brent recuou cerca de 7,8% nesta segunda-feira, voltando para um patamar inferior a US$ 90 após ter ultrapassado brevemente a marca de US$ 100 na semana passada.
Apesar da trégua militar, Teerã procurou demonstrar que continua controlando o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo. Veículos da imprensa estatal iraniana divulgaram que seis embarcações consideradas irregulares teriam sido obrigadas a retornar após tentarem atravessar a passagem sem autorização das autoridades iranianas. Segundo as publicações, uma das embarcações sofreu um acidente durante a operação.
O governo iraniano voltou a defender que a navegação internacional utilize apenas o canal marítimo sob sua supervisão, localizado próximo à costa do país, onde pretende cobrar taxas de passagem. Os Estados Unidos, por sua vez, defendem a livre circulação de navios pela região e haviam incentivado embarcações a utilizar uma rota próxima ao litoral de Omã.
Os confrontos das últimas semanas deixaram dezenas de mortos no Irã e provocaram destruição de infraestrutura no sul do país, incluindo pontes, túneis e instalações militares. Em resposta aos ataques, o Irã lançou ofensivas contra bases militares norte-americanas em países vizinhos, que resultaram na morte de quatro militares dos Estados Unidos. Teerã também realizou ataques contra infraestrutura civil em países do Golfo, alegando retaliação às ações americanas.
A instabilidade também aumentou após o grupo houthi, aliado do Irã no Iêmen, ameaçar bloquear o transporte de petróleo da Arábia Saudita pelo Mar Vermelho, ampliando as preocupações sobre o abastecimento global de energia.
Embora Estados Unidos e Irã tenham firmado, em junho, um entendimento para conduzir negociações até o fim de agosto, permanecem divergências sobre o futuro do Estreito de Ormuz. Washington interpreta que o acordo prevê garantia de livre navegação, enquanto Teerã sustenta que o documento reconhece sua autoridade para supervisionar o trânsito marítimo na região.
O Irã também busca consolidar sua posição por meio de um acordo com Omã, país que controla a margem oposta do estreito. No fim de semana, uma delegação de alto nível do governo omanense esteve em Teerã para discutir o futuro da via marítima. Paralelamente, ministros das Relações Exteriores de Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita mantiveram contatos com o chanceler de Omã para tratar da situação.
Enquanto isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, é esperado em Washington nos próximos dias para uma reunião com Donald Trump, em meio aos desdobramentos da crise envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.







