
A Justiça de São Paulo aceitou um acordo entre o Ministério Público do estado (MPSP) e o jogador Damián Bobadilla, do São Paulo Futebol Clube (SPFC), para evitar um processo penal por injúria racial. Durante partida pela Copa Libertadores do ano passado, realizada em maio de 2025, o atleta chamou um adversário de “venezuelano de morto de fome”.O acordo foi possível após o atleta paraguaio confessar a xenofobia às autoridades. Assim, o MPSP estabelece alguns requisitos, como doação de livros e postagens de combate à injúria racial. Caso o Bobadilla cumpra esses requisitos, a investigação criminal é encerrada antes do oferecimento da denúncia, evitando um processo penal e uma eventual condenação.
Obrigações de Bobadilla em acordo após xenofobia
- Assistir aos seguintes vídeos e enviar uma gravação de dois minutos com comentários sobre o que entendeu de cada aula:
- “Xenofobia: um crime silencioso”, HuffPost Brasil.
- “Dialeto Nordestino”, Bráulio Bessa.
- “Xenofobia – Brasil Escola”, Brasil Escola Oficial.
- “Há preconceito do nordestino com o paulista? Veja a resposta de Silvero Pereira”, Provoca.
- Visita educativa ao Museu da Imigração, em São Paulo.
- Publicação de quatro postagens nas redes sociais com mensagens no combate à xenofobia.
- Doação de 100 kits com livros sobre xenofobia à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania.
Xenofobia na Libertadores
As ofensas de Bobadilla aconteceram durante a partida do São Paulo contra o Talleres, da Argentina, pela última rodada da fase de grupos da Libertadores em 2025. O caso veio à tona após o lateral-esquerdo venezuelano que sofreu a xenofobia, Miguel Navarro, começar a chorar em campo. Em entrevista após o final da partida, o colega de equipe, Augusto Schott, expôs a situação e acusou o jogador do Tricolor, de racismo.
Confira o momento em que o jogador chorou em campo:
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Miguel Navarro, do Talleres, disse à polícia que Damián Bobadilla, do São Paulo, o chamou de “venezuelano morto de fome”.
Simplesmente absurdo.
Via: @FelipeGomesRuiz pic.twitter.com/RIOeMn1h0r
— Que Jogada! (@QueJogadaQJ) May 28, 2025
“Quero falar sobre um ato de racismo que nós sofremos. Nos dói porque estamos num lugar em que se promove muito a luta contra o racismo. Um companheiro nosso ficou muito triste. Não queria deixar passar simplesmente isso”, disse Schott à transmissão oficial da partida.
O ato aconteceu durante uma confusão após um gol do São Paulo. A partida foi paralisada, mas gesto estabelecido pela FIFA que indica um caso de racismo — cruzar os punhos no alto — não foi executado pela arbitragem.
Após o fim da partida, Navarro não especificou o que ocorreu, apenas demonstrou estar triste com a situação. “Não quero falar disso. Não quero falar de nada, quero ir para casa. Sim, Bobadilla. Ele sabe o que disse. Me ofendeu”, desabafou o lateral-esquerdo. O jogador do Talleres foi ao posto da Polícia Militar, dentro do MorumBIS. Os PMs procuraram Bobadilla nos vestiários, mas ele já havia deixado o estádio.
O treinador do time argentino classificou a ofensa como xenofobia. “Se dá muita ênfase acerca de conscientizar sobre a discriminação e tivemos um jogador que foi descriminado. Foi feito comentário ofensivo sobre sua procedência. É algo que não pode passar desapercebido. Estamos todos muito doloridos de ter um jogador que sofreu esse tipo de agressões..Está muito abatido com o comentário. Ameaçou sair de campo”, detalhou o técnico Mariano Levisman.
Posteriormente, Damián Bobadilla foi multado pela Conmebol em 15 mil dólares (cerca de R$ 84 mil) por “comportar-se de forma ofensiva, ultrajante ou fazer declarações difamatórias de qualquer natureza”, “violar as pautas mínimas do que deve ser considerado como comportamento” e “comportar-se de forma que o futebol e a Conmebol possam ser desacreditados”.
São Paulo condena xenofobia
Após o ocorrido, o São Paulo publicou nota se posicionando contra qualquer tipo de manifestação discriminatória, preconceituosa ou intolerante. Veja a nota na íntegra a seguir.
“O São Paulo Futebol Clube, por meio desta nota oficial, reafirma seu compromisso com os princípios de respeito, igualdade e inclusão, pilares fundamentais que norteiam suas atividades esportivas e institucionais.
Em face dos acontecimentos ocorridos durante a partida contra o Club Atlético Talleres, válida pela CONMEBOL Libertadores, o Clube informa que está acompanhando atentamente a apuração dos fatos pelas autoridades competentes, colaborando integralmente com as investigações em curso.
O São Paulo FC reitera que repudia veementemente qualquer manifestação de discriminação, preconceito ou intolerância, seja ela de natureza racial, étnica, nacional ou de qualquer outra forma.
O Clube permanece à disposição das autoridades e das entidades esportivas para quaisquer esclarecimentos adicionais e reforça seu compromisso contínuo com a promoção de um ambiente esportivo pautado pelo respeito mútuo e pela dignidade humana.
Em relação ao nosso atleta Bobadilla, que, ao longo de sua carreira, não apresentou histórico de conduta disciplinar negativa – ao contrário, sempre pautou sua trajetória pelo profissionalismo – entendemos ser fundamental que o Clube ofereça suporte institucional. O Clube providenciará que ele seja devidamente orientado por meio de medidas educativas que serão conduzidas pela área de compliance.”







