A Justiça manteve, nesta terça-feira (13), a prisão preventiva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual no caso da morte da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. A informação foi divulgada pela defesa da família da vítima.

Durante interrogatório realizado em 5 de outubro, que durou mais de oito horas, o oficial negou as acusações e afirmou que está preso injustamente há mais de 200 dias. A defesa dele havia solicitado a revogação da prisão preventiva, mas o Ministério Público e os representantes da família de Gisele se manifestaram contra o pedido.

Geraldo foi preso preventivamente em 18 de março, cerca de um mês após a morte da esposa. Desde então, permanece custodiado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona Norte de São Paulo.

Acusação aponta feminicídio e fraude processual

O tenente-coronel responde por feminicídio e fraude processual. Segundo a investigação, ele teria interferido na cena do crime e tentado alterar elementos que poderiam ajudar a esclarecer as circunstâncias da morte da soldado.

Para o Ministério Público, o homicídio teria sido motivado por sentimento de posse e pela recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também sustenta que Gisele teria sido surpreendida e não teve possibilidade de se defender.

Após o interrogatório, as partes deverão apresentar as alegações finais. Com essa etapa concluída, a juíza responsável pelo processo avaliará as provas e decidirá se o caso será encaminhado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Tenente-coronel nega ter matado a esposa

Durante o depoimento prestado no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, Geraldo relembrou o relacionamento com Gisele e contestou a versão de que seria agressivo e violento com a esposa.

O oficial também afirmou que não cometeu o crime pelo qual responde.

“Eu não matei a minha esposa […] E eu estou aqui, preso, sem ter feito isso”, declarou, segundo o depoimento ao qual a CNN Brasil informou ter tido acesso.

A defesa do tenente-coronel busca reverter a prisão preventiva e contesta as acusações apresentadas contra ele.

Laudo pericial descarta hipótese de suicídio

Um laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo concluiu que Gisele não teria cometido suicídio. Segundo o documento, haveria uma impossibilidade de a soldado ter efetuado um disparo contra a própria cabeça nas circunstâncias analisadas.

A perícia também apontou elementos que contradizem a versão apresentada pelo tenente-coronel. Entre eles, estão a dificuldade de acesso à arma, que estaria guardada em um guarda-roupa alto, e a impossibilidade de visualizar, a partir do banheiro, o local onde a soldado teria sido encontrada.

As conclusões periciais reforçam a linha investigativa que passou a considerar o feminicídio após o caso ter sido inicialmente tratado como suicídio.

Soldado foi encontrada morta em apartamento no Brás

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento, no bairro do Brás, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro.

De acordo com a acusação, o tenente-coronel teria atirado contra a esposa durante uma discussão e, posteriormente, alterado a cena para simular um suicídio. A investigação também identificou vestígios de sangue nas roupas do oficial e indícios de que ele teria tomado banho após o ocorrido.

O caso segue em tramitação na Justiça, e a decisão sobre a realização do Tribunal do Júri dependerá da análise das alegações finais e das provas reunidas no processo.

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