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Com a rotina cada vez mais digital, a leitura em celulares, tablets e computadores tornou-se parte do cotidiano. Embora o cérebro utilize as mesmas áreas responsáveis pela linguagem para processar textos em papel ou em telas, especialistas afirmam que o formato escolhido pode influenciar a atenção, a compreensão e a memorização das informações, especialmente em leituras longas e complexas.

Segundo a neuropsicóloga Juliana Gebrim, materiais impressos oferecem uma experiência de leitura mais contínua, com menos interrupções e mais estímulos sensoriais, favorecendo o aprendizado.

“Sempre que o objetivo da pessoa for estudar, memorizar, refletir ou compreender conteúdos mais complexos, o papel tende a oferecer uma experiência mais favorável. O segredo não está no suporte, mas na forma como treinamos o nosso cérebro para prestar atenção”, explica.

Ela destaca ainda que livros e apostilas impressos estimulam a chamada memória espacial, permitindo que o cérebro associe informações ao local onde aparecem na página, o que facilita a recuperação do conteúdo posteriormente.

Já a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi afirma que o principal desafio da leitura digital está no excesso de estímulos presentes nos dispositivos eletrônicos.

“Independentemente do suporte utilizado, o principal determinante da aprendizagem é a qualidade da atenção. Ler em um ambiente com poucas distrações, desativar notificações, fazer pausas e utilizar estratégias como resumos e recuperação ativa fortalece a consolidação da memória”, afirma.

Segundo a especialista, notificações, hiperlinks, alternância entre aplicativos e a rolagem constante aumentam a carga cognitiva e podem dificultar a retenção das informações. Em contrapartida, as telas oferecem vantagens para consultas rápidas, pesquisas e recursos de acessibilidade, como ampliação de fonte e leitura em voz alta.

Para a neuropsicóloga Georgia Firme Lima, não existe um formato superior em todas as situações.

“Mais do que uma disputa entre papel e tecnologia, precisamos pensar em intenção. O cérebro se adapta às ferramentas que oferecemos a ele. O mais importante é escolher o formato que favoreça atenção, compreensão e aprendizado naquele momento”, destaca.

Ela ressalta que crianças tendem a ser mais vulneráveis às distrações das telas porque as áreas cerebrais responsáveis pelo controle da atenção ainda estão em desenvolvimento. Nos adultos, embora a autorregulação seja maior, o excesso de estímulos digitais também pode comprometer a concentração.

Na avaliação das especialistas, tanto a leitura em papel quanto em dispositivos eletrônicos pode ser eficiente, desde que seja realizada em um ambiente favorável à concentração e de acordo com o objetivo da atividade.

Com informações de Metrópoles

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