
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Seul, na Coreia do Sul, na manhã deste domingo (22), na segunda etapa de sua viagem oficial pela Ásia.
Mais cedo, Lula encerrou a visita de Estado à Índia com uma entrevista coletiva, onde foi questionado sobre a tarifa global de 10% anunciada pelo presidente americano Donald Trump.
Na Coreia do Sul, terá compromissos a partir da manhã de segunda-feira (23), no horário local, incluindo uma reunião com o presidente Lee Jae-myung.
Mais tarde, ele deve participar do Fórum Empresarial Brasil-Coreia, com previsão da assinatura de um plano de ações a serem implementadas até 2029. Mais de 230 empresas se inscreveram para participar do encontro.
O governo brasileiro pretende aproveitar a visita para abrir novas frentes de cooperação, atrair investimentos e avançar na abertura de mercados agropecuários, especialmente para carnes bovina e suína, além de produtos de maior valor agregado.
A missão se encerra no dia 24, com retorno ao Brasil, e é vista no Planalto como parte de uma estratégia mais ampla de diversificação de parceiros comerciais, redução da dependência de destinos tradicionais e fortalecimento da presença brasileira em mercados de grande escala.
A primeira-dama, Janja Lula da Silva, desembarcou em Seul dias antes do presidente, na quarta-feira (18), para se encontrar com a primeira-dama sul-coreana, Kim Hea-Kyung, e com brasileiros que vivem no país.
Veja lista completa de autoridades na comitiva presidencial:
- Janja Lula da Silva; primeira-dama
- Embaixador Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores;
- Fernando Haddad, ministro da Fazenda;
- Carlos Fávaro, ministro da Agricultura e da Pecuária;
- Camilo Santana, ministro da Educação;
- Alexandre Padilha, ministro da Saúde;
- Márcio França, ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte;
- Esther Dweck, ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos;
- Frederico de Siqueira Filho, ministro das Comunicações;
- Luciana Santos, ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação;
- Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar;
- Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima;
- Márcio Elias Rosa, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços;
- Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital;
- Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal;
- Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil;
- Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa;
- Jorge Viana, presidente da ApexBrasil;
- Eliziane Gama (PSD-MA), senadora;
- Jorge Solla (PT-BA), deputado-federal;
- Dorinaldo Malafaia (PDT-AP), deputado-federal;
- Zé Neto (PT-BA), deputado-federal.
Lula diz estar “aliviado” por não ter tido pressa nas negociações com Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em Nova Délhi, na Índia, estar “aliviado” por não ter se precipitado nas negociações tarifárias com os Estados Unidos diante das incertezas causadas pelas disputas entre a Suprema Corte do país e o presidente Donald Trump.
O petista afirmou que não poderia julgar as decisões da Justiça americana sobre as tarifas e não comentou diretamente os anúncios de Trump de que as alíquotas globais vão subir para 15%, movimentos que causam incerteza nas negociações comerciais de vários países, inclusive o Brasil.
“Sobre a taxação, tomamos decisão com muita cautela e tomamos a decisão correta. Em algumas coisas o próprio governo americano voltou atrás (com relação às tarifas contra o Brasil) e agora temos a decisão da Suprema Corte. Por isso, eu quero conversar direto com Trump sobre toda a relação entre o Brasil e os Estados Unidos”, disse ele.
O presidente, no entanto, reconheceu que a negociação com os americanos “é muito difícil porque me parece que o lado de lá não tem tanta vontade de negociar”.
Lula fazia uma referência a membros do governo americano que acreditariam que “o presidente Trump resolve as coisas pelo Twitter”.
Segundo ele, “as coisas só andaram um pouco quando eu pessoalmente falei com o presidente Trump, porque ele nos deu o telefone e que a gente tem contato direto. Então, às vezes, eu fico pensando que tem gente que não quer que a gente dê certo nos acordos, e é por isso que eu quero conversar com o Trump”.
As incertezas causadas pela queda de braço entre a Suprema Corte americana e Trump foram discutidas entre ministros do governo brasileiro que acompanharam Lula na sua visita de Estado à Índia.
Alguns membros da comitiva afirmaram que acabou sendo positivo o Brasil entrar na fase final da negociação depois da decisão americana, porque alguns países acabaram de fazer acordos que incluem tarifas superiores aos 15% globais anunciados por Trump depois da decisão da justiça.
Um integrante da delegação avaliou que isso poderia ter acontecido com o Brasil, o que forçaria o país a ter que renegociar tudo de novo, como alguns países provavelmente terão que fazer agora.
As tarifas serão o principal tema das conversas entre Lula e Trump, que devem acontecer, segundo o governo brasileiro, em março, na Casa Branca.
O presidente não explicou quem seriam os membros da administração americana que poderiam estar dificultando as conversas, mas o governo brasileiro identificou desde o início da crise uma resistência de parte da diplomacia e de integrantes da Secretaria do Tesouro americanos ao Brasil. Por isso, a estratégia de Brasília tem sido a de concentrar as conversas entre os dois chefes de Estado.
Com informações de CNN Brasil.







