
A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25/10), as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram a disputa em torno da divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas.
Nesta quinta-feira (22/10), a campanha de Lula deve apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento em resposta às 19 condições estabelecidas por Flávio Bolsonaro para autorizar a abertura de seus dados.
O impasse começou no domingo (18/10), durante o primeiro debate presidencial do segundo turno. Na ocasião, Lula propôs divulgar seus sigilos bancário e telefônico, assim como os de sua esposa e de seus filhos, desde que o adversário adotasse a mesma medida.
Na terça-feira (20/10), o presidente formalizou sua autorização perante a Justiça Eleitoral. Flávio respondeu na quarta-feira (21/10), apresentando uma série de exigências adicionais.
Flávio Bolsonaro condiciona abertura de dados a novas exigências
No documento encaminhado ao TSE, o candidato do PL solicitou a divulgação de informações relacionadas ao presidente, familiares, assessores e instituições ligadas ao petista.
Entre as principais exigências estão:
-
Assessores presidenciais: autorização para acesso a dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
-
Empresas e familiares: abertura de informações bancárias e fiscais de empreendimentos vinculados a parentes do presidente, incluindo negócios de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
-
Instituições ligadas ao presidente: divulgação de dados do Instituto Lula e da empresa L.I.L.S. Palestras, abrangendo operações desde 2003.
-
Caso Banco Master: apresentação de registros de acesso ao Palácio do Planalto e informações sobre uma reunião entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024.
-
Despesas e compromissos oficiais: detalhamento dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023 e das agendas institucionais da primeira-dama, Janja.
-
Questões relacionadas ao INSS: esclarecimentos sobre contatos de integrantes do governo com a lobista Roberta Luchsinger, registros de visitas a órgãos públicos e deslocamentos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), além da abertura de dados de Frei Chico, irmão do presidente.
Durante um evento em São Paulo, Flávio afirmou que aceitaria o desafio caso as condições fossem atendidas. O senador também fez acusações envolvendo integrantes do entorno de Lula e familiares do presidente, sem apresentar, na declaração reproduzida, provas que comprovassem as suspeitas.
Campanha de Lula afirma aceitar condições
Na noite de quarta-feira (21/10), a campanha de Lula informou que o presidente não se opõe às exigências apresentadas pelo adversário, desde que Flávio também concorde em divulgar os dados solicitados.
O posicionamento foi anunciado por Camilo Santana, que afirmou que o presidente aceita ampliar o alcance da proposta de transparência.
Segundo Camilo, a resposta formal será encaminhada ao TSE nesta quinta-feira, às 11h.
Apesar das manifestações públicas, a apresentação de autorizações e pedidos à Justiça Eleitoral não significa que todos os dados mencionados serão automaticamente divulgados. A efetiva disponibilização de informações protegidas por sigilo depende das autorizações pertinentes e dos procedimentos legais aplicáveis.
O episódio ocorre na reta final da campanha presidencial, quando os dois candidatos buscam reforçar seus discursos de transparência diante dos eleitores.
Com informações de Metrópoles







