Ricardo Stuckert/PR

Em sua terceira visita à Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou, nesta terça-feira, as amplas oportunidades de cooperação e intercâmbio de experiências em áreas estratégicas entre Brasil e o país asiático. A declaração foi feita a jornalistas, enfatizando a complementaridade entre as duas nações.

Cooperação Bilateral e Comércio

Lula ressaltou a necessidade de o Brasil aprender com a sofisticação tecnológica sul-coreana, enquanto a Coreia do Sul pode se beneficiar da experiência brasileira em políticas de transição energética, minerais críticos e terras raras.

O presidente apontou que, apesar de um acordo comercial de US$ 11 bilhões – o que faz da Coreia do Sul o 4º parceiro de comércio do Brasil na Ásia –, esse volume é considerado “muito pouco” para o potencial de ambos os países. A expectativa é que essa relação comercial cresça significativamente. A ida de Lula a Seul foi motivada por um convite do presidente Lee Jae Myung, com quem Lula notou ter uma história política “muito parecida”.

Acordo Mercosul-Coreia do Sul

Durante sua declaração, o chefe do Planalto também enfatizou o interesse da Coreia do Sul em retomar as negociações para um acordo comercial com o Mercosul. O acordo estava paralisado desde 2021. Lula lembrou a Lee Jae-Myung a importância de discutir este tema em um momento de debate sobre a “volta do unilateralismo”, e ambos se mostraram interessados em formar comissões para debater e, possivelmente, concluir o acordo ainda este ano.

Reunião com Donald Trump e Combate ao Crime Organizado

Questionado sobre uma futura reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula esclareceu que a pauta está sendo elaborada e que o combate ao crime organizado será um dos temas centrais.

O presidente brasileiro afirmou que pretende levar consigo representantes da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Fazenda e Ministério da Justiça e Segurança Pública para a reunião nos EUA. “Vou mostrar que se ele quiser, de verdade, combater o crime organizado, o narcotráfico, o tráfico de armas, o Brasil será parceiro de primeira hora, porque nós temos expertise nisso com a nossa Polícia Federal”, disse Lula.

Além do crime organizado, o presidente brasileiro pretende abordar questões relacionadas ao multilateralismo e à defesa da democracia, reconhecendo, no entanto, que Trump também terá seus próprios assuntos a apresentar.

Com informações de Metrópoles

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