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A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (19), a Operação Backbone, com o objetivo de desarticular um esquema atribuído ao Comando Vermelho (CV) que controlava o fornecimento de internet em comunidades do Rio de Janeiro por meio de ameaças, intimidações e violência armada.

Até a última atualização das informações divulgadas, 19 pessoas haviam sido presas, entre elas Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, a esposa dele, Márcia Gama, e o filho, Lucas Santos Nepomuceno.

Apontado como uma das principais lideranças históricas da facção, Marcinho VP está preso desde 1996 e atualmente cumpre pena em uma unidade federal de segurança máxima, em Campo Grande (MS). O mandado judicial contra ele foi cumprido dentro do próprio presídio.

Segundo a PF, o grupo obrigava moradores e comerciantes dos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense, a contratar serviços de internet controlados pela organização criminosa.

A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, e prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores.

Como funcionava o esquema da internet do tráfico

As investigações apontam que integrantes armados da facção destruíam cabos e incendiavam caixas de distribuição pertencentes a operadoras regulares e concorrentes. As ações também impediam que técnicos realizassem reparos na infraestrutura de telecomunicações.

Com a interrupção dos serviços concorrentes, moradores e comerciantes eram pressionados a contratar os provedores autorizados pelo grupo criminoso. Em contrapartida, empresas que atuavam nessas áreas precisavam pagar mensalmente uma espécie de taxa para continuar operando nos territórios dominados pela facção.

Documentos contábeis apreendidos durante as apurações indicaram que a cobrança relacionada à internet representou mais de 40% da arrecadação total do grupo no Complexo da Penha em um único mês.

De acordo com a PF, a exploração desse mercado se tornou uma importante fonte de renda para o crime organizado. O controle territorial, nesse contexto, também garante à organização acesso a uma base de consumidores submetidos à imposição dos serviços.

Família e empresas são investigadas

As apurações também identificaram indícios de que uma liderança histórica da facção, mesmo presa há quase três décadas, continuava exercendo influência sobre atividades empresariais exploradas nos territórios dominados pelo grupo, com a participação de familiares e outros integrantes da organização.

Segundo os investigadores, os recursos obtidos ilegalmente eram transferidos por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas utilizadas para movimentar valores. Posteriormente, o dinheiro seria ocultado em negócios como produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão adquiridos com pagamentos em espécie e operações com criptoativos.

A investigação busca esclarecer a participação de cada suspeito no funcionamento do esquema e identificar os mecanismos utilizados para disfarçar a origem dos recursos.

Operação alcança seis municípios

Os mandados judiciais são cumpridos em diferentes localidades do estado do Rio de Janeiro, incluindo a capital, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte das ordens de prisão é executada dentro do sistema penitenciário, inclusive em unidades federais.

Além das medidas contra pessoas físicas, a Justiça autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, envolvendo 40 pessoas e 42 empresas investigadas.

A operação também prevê a suspensão das atividades econômicas de empresas suspeitas de integrar o esquema, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e negócios apontados como estruturas de fachada.

A Polícia Federal informou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será comunicada para avaliar medidas como a cassação de autorizações e a interrupção dos serviços prestados irregularmente pelas empresas investigadas. A corporação também destacou a necessidade de preservar a continuidade do acesso à internet para os moradores das comunidades afetadas.

Quais crimes são investigados?

Os suspeitos poderão responder por domínio social estruturado, crime relacionado à atuação de grupos que utilizam violência, grave ameaça ou coação para controlar territórios, intimidar moradores e interferir no funcionamento de serviços essenciais.

Outras possíveis acusações incluem extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos, dimensionar os recursos movimentados e esclarecer a extensão da atuação do Comando Vermelho no mercado clandestino de internet.

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