O que começou como promessa de melhoria da infraestrutura transformou-se em motivo de revolta para moradores de Iranduba. Máquinas e serviços de asfaltamento estariam parados há mais de 30 dias, enquanto ruas que passaram por intervenções permanecem abertas, tomadas por poeira, buracos e entulhos. As reclamações atingem principalmente os bairros Alto de Nazaré, São José, Mutirãozinho e Parque Caboclo, além da comunidade do Janauari. Os relatos sobre a paralisação também foram publicados por outros veículos locais neste domingo (21).

Segundo os moradores, há mais de 40 dias o prefeito Augusto Ferraz teria se reunido com representantes das comunidades e afirmado que os recursos para o asfaltamento já estavam disponíveis e que as obras seriam executadas.

A expectativa, porém, deu lugar às cobranças. Moradores afirmam que os serviços começaram, várias ruas foram abertas simultaneamente e, posteriormente, os trabalhos foram interrompidos sem que as vias fossem concluídas.

A população atribui a paralisação a uma suposta falta de pagamento da primeira parcela à empresa responsável pelo serviço. Não foram apresentados, contudo, documentos que comprovem essa versão, nem foi localizada manifestação oficial da Prefeitura de Iranduba esclarecendo a razão da interrupção ou informando uma data para a retomada das obras.

Ruas abertas e poeira dentro das casas

Na Rua Beira Rio, no Alto de Nazaré, região do Cacau Pirêra, moradores dizem que a situação piorou depois do início das intervenções. Segundo os relatos, trechos do pavimento existente foram retirados, mas o novo asfalto não chegou.

Com isso, moradores convivem com poeira intensa, entulho e dificuldades para a circulação de veículos.

Uma moradora da Rua do Igarapé criticou diretamente o prefeito e afirmou que a situação anterior, apesar dos buracos, era menos prejudicial.

“O Augusto Ferraz veio aqui prometendo que ia asfaltar tudo. Tinha os buracos, mas não tinha poeira. Agora que tiraram o resto do asfalto não conseguimos nem respirar.”

No Parque Caboclo, João Carlos também questiona a forma como os serviços foram iniciados. Para ele, a Prefeitura deveria ter concluído uma rua antes de abrir novas frentes de trabalho.

“Em vez de asfaltar uma rua por vez, a prefeitura quebrou várias ao mesmo tempo e abandonou o serviço. Veículos não passam porque não tem largura e ainda deixaram muitos entulhos”, afirmou.

As reclamações no Parque Caboclo não são isoladas. Há registros recentes de moradores do bairro cobrando a conclusão de obras e demonstrando preocupação com a chegada do período chuvoso.

Poeira prejudica comércio e moradores relatam problemas respiratórios

Os transtornos, segundo os moradores, já ultrapassam a questão da mobilidade. Comerciantes dizem que a poeira está prejudicando as vendas e provocando perdas de mercadorias.

Dona Luci, que trabalha com salgados e alimentos, afirma que deixou de colocar sua banca na frente de casa devido à quantidade de poeira. Ela também relata que a mãe, que tem asma, passou a sofrer crises frequentes.

“Nem limpo mais a casa porque não adianta. Disseram que ia fazer asfalto, drenagem e está pior. Antes ficasse com aquele asfalto e buracos”, desabafou.

No Mutirãozinho, o comerciante Carlito, de 71 anos, também afirma sofrer de asma e relata que chegou a permanecer seis dias internado. Ele associa o agravamento dos problemas respiratórios à poeira provocada pelas condições das ruas.

“O prefeito disse que as obras iam gerar emprego e renda, em reunião prometeu mil coisas, que venha cumprir agora”, cobrou.

Os relatos são dos próprios moradores e não estabelecem, por si só, comprovação médica de que as condições das vias tenham causado os problemas de saúde mencionados.

Janauari também cobra obras

Na comunidade do Janauari, localizada no Km 18 da AM-070, moradores também reclamam da falta de avanço das intervenções e temem que a situação se agrave com o início do período chuvoso.

“A situação vai piorar quando começar a chuva. A gente tem que reclamar antes da eleição, porque depois ele não vai nem lembrar das promessas”, afirmou um morador.

A região já havia sido objeto de cobrança oficial. Em agosto, um pedido de providência apresentado na Câmara Municipal solicitou visita técnica e recuperação emergencial de pontos críticos do Ramal Boa Fé 2, na comunidade do Janauari.

Moradores fazem acusação sobre recursos, mas não apresentam provas

Em meio à insatisfação, alguns moradores levantaram uma acusação mais grave: disseram suspeitar que recursos destinados às obras poderiam estar sendo desviados para fins eleitorais e para beneficiar a campanha da esposa do prefeito.

A acusação, entretanto, não veio acompanhada de documentos, dados bancários, contratos ou outros elementos que comprovem desvio de recursos ou financiamento eleitoral. Por isso, a alegação deve ser tratada como suspeita levantada pelos denunciantes, e não como fato comprovado. A mesma ressalva consta em cobertura publicada sobre o caso.

Enquanto aguardam uma solução, moradores passaram a resumir a insatisfação com a frase “sem asfalto, sem voto”.

A principal cobrança agora é para que a Prefeitura de Iranduba explique por que os serviços foram interrompidos, qual a situação dos pagamentos à empresa responsável e quando as ruas abertas serão finalmente concluídas.

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