O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) fez um desabafo público na noite desta segunda-feira (13) e confirmou que a direção nacional do Partido dos Trabalhadores trabalha para retirar sua pré-candidatura ao Senado nas eleições de 2026. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Ramos afirmou que foi informado de que a legenda prefere que ele dispute uma vaga de deputado federal, alegando que sua candidatura ao Senado poderia prejudicar a estratégia eleitoral da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Amazonas.

O ponto mais contundente da manifestação foi a revelação de que a mudança de estratégia teria sido motivada por um pedido do senador Eduardo Braga (MDB), que, segundo Marcelo Ramos, demonstrou preocupação com os efeitos de uma candidatura petista na disputa pelas duas vagas ao Senado.

Segundo Ramos, a direção nacional do PT explicou que sua candidatura poderia dividir votos do campo governista e favorecer a eleição de dois senadores alinhados à oposição ao presidente Lula.

Apesar da posição do partido, o ex-deputado afirmou que contestou essa avaliação e apresentou argumentos políticos e eleitorais para defender a manutenção de sua pré-candidatura.

Na avaliação de Marcelo Ramos, a eleição para o Senado, por permitir dois votos ao eleitor, favoreceria duas candidaturas do mesmo campo político, em vez de enfraquecê-las.

Ele argumentou que um eleitor identificado com Lula votaria naturalmente em Eduardo Braga e ficaria sem uma segunda opção alinhada ao governo federal caso sua candidatura fosse retirada da disputa.

Além disso, sustentou que sua pré-candidatura não tinha caráter simbólico, mas era competitiva, ocupando um espaço da esquerda que, segundo ele, ficará vazio caso o PT não apresente um nome próprio na disputa majoritária.

Defesa de uma candidatura identificada com Lula

Marcelo Ramos também afirmou que defendeu internamente que o PT tem o dever político de apresentar uma candidatura progressista ao Senado no Amazonas.

Segundo ele, além de representar o campo da esquerda, sua candidatura teria o papel de defender o legado do governo Lula e enfrentar politicamente o bolsonarismo durante a campanha eleitoral.

O ex-parlamentar disse, porém, que percebeu que a direção nacional já possuía uma posição praticamente consolidada antes mesmo da reunião.

Frustração, mas prioridade ao projeto nacional

Durante o vídeo, Marcelo Ramos admitiu sentir “profunda frustração” e até “certa indignação” com a decisão construída dentro do partido. Ainda assim, afirmou que esses sentimentos precisam ser colocados abaixo da responsabilidade que considera ter com o projeto político do presidente Lula.

Segundo ele, qualquer decisão será tomada levando em consideração não apenas seus interesses pessoais, mas também o futuro do partido e do governo federal no Amazonas.

Três caminhos para 2026

Ao falar sobre seu futuro político, Marcelo Ramos revelou que analisa apenas três possibilidades.

A primeira é insistir na pré-candidatura ao Senado, mesmo sabendo que a palavra final pertence à direção nacional do PT.

A segunda alternativa é aceitar disputar uma vaga de deputado federal, embora tenha afirmado que essa hipótese lhe causa desconforto, já que toda sua preparação política foi voltada para uma eleição majoritária e muitos de seus aliados já assumiram compromissos em outras campanhas proporcionais.

A terceira possibilidade, segundo ele, é não disputar nenhum cargo eletivo em 2026 e permanecer exclusivamente na iniciativa privada, onde afirma viver um momento de crescimento profissional desde o fim de seu mandato como deputado federal.

Decisão será tomada após retorno ao Amazonas

Marcelo Ramos informou que retorna a Manaus na quarta-feira (15), quando pretende conversar com familiares, lideranças do PT, aliados políticos e pessoas próximas antes de anunciar sua decisão.

Ao encerrar o pronunciamento, afirmou que não depende de mandato para viver, mas ressaltou que precisa tomar uma decisão que preserve sua tranquilidade pessoal e respeite a confiança depositada por seus apoiadores.

O ex-deputado também pediu orações e solicitou que seguidores deixem opiniões e sugestões nos comentários do vídeo, afirmando que pretende ouvir aqueles que acompanham sua trajetória antes de definir seu futuro político nas eleições de 2026.

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