
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira (26), em Manaus, que a recuperação da BR-319 é possível, desde que o projeto siga rigorosamente as regras ambientais e um modelo de governança sustentável. A declaração foi dada durante agenda no Bosque da Ciência, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde foi lançado o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu).
A fala da ministra recoloca o debate sobre a rodovia no centro da agenda política e ambiental do país, em meio a pressões por obras e questionamentos judiciais que envolvem o licenciamento do empreendimento.
BR-319: viabilidade com condicionantes ambientais
Ao ser questionada pela imprensa, Marina Silva reforçou que nunca foi contrária à recuperação da BR-319, mas destacou que o avanço da obra depende de planejamento técnico, respeito às leis ambientais e controle sobre impactos na região.
“Se fizer com governança, com sustentabilidade, é possível fazer. Eu estou há 25 anos dizendo isso”, afirmou.
A ministra ressaltou que o governo federal trabalha na construção de um modelo que envolva avaliação ambiental estratégica e mecanismos de controle para evitar problemas históricos associados à rodovia, como desmatamento, grilagem de terras e queimadas.
Judicialização e entraves no licenciamento
O debate sobre a BR-319 tem sido marcado por entraves judiciais em diferentes instâncias, muitos deles relacionados ao descumprimento de condicionantes ambientais em etapas anteriores do projeto.
Segundo Marina, a solução passa por um planejamento integrado entre o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério dos Transportes, sob coordenação da Casa Civil, com foco em garantir segurança jurídica e ambiental.
A ministra alertou que intervenções sem controle podem provocar impactos irreversíveis na Amazônia, incluindo desequilíbrios climáticos e prejuízos diretos às populações locais.
Meio ambiente e economia da floresta
Durante o evento, Marina também destacou a importância de políticas públicas que conciliem preservação ambiental e geração de renda. O PSA Pirarucu foi apresentado como exemplo dessa estratégia, ao remunerar comunidades ribeirinhas que atuam no manejo sustentável do pescado.
A ministra enfatizou que a preservação da floresta está diretamente ligada à manutenção dos rios e da segurança alimentar na região.
“Destruir a floresta é comprometer os rios da Amazônia. Grande parte da proteína consumida na região vem do peixe, e isso precisa ser protegido”, pontuou.
Pressão por obras e expectativa política
A declaração ocorre em meio à expectativa de anúncios do governo federal sobre a BR-319, incluindo possíveis avanços em trechos que ainda enfrentam restrições judiciais.
A rodovia, considerada estratégica para a ligação entre Manaus e Porto Velho, segue como um dos temas mais sensíveis da agenda amazônica, dividindo opiniões entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.







