
A abertura do ano legislativo na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), nesta terça-feira (3), promete ir além do protocolo institucional. Ao subir à tribuna para apresentar sua última mensagem anual, o governador Wilson Lima fala a um Parlamento já atento aos sinais de despedida. A pergunta que ecoa nos corredores é simples e direta: ele deixa ou não o governo em abril? Caso confirme a saída no dia 4, prazo-limite para desincompatibilização eleitoral, quem assume é o vice Tadeu de Souza, herdeiro de um orçamento robusto de R$ 38,2 bilhões aprovado por unanimidade em dezembro. O crescimento de 20,9% em relação a 2025 amplia não apenas a capacidade de investimento, mas também o peso político de quem estiver sentado na cadeira principal do Executivo.
Sorrisos que falam mais que discursos
A recente aparição pública de Wilson Lima ao lado de Tadeu de Souza, ambos sorridentes, foi suficiente para reacender a especulação política. Nos bastidores, a leitura é quase unânime: há movimento, ainda que silencioso. Mesmo adotando um discurso público de distanciamento das eleições de 2026, Wilson sabe que cada gesto é interpretado como sinal. Evitar o tema não impede que o jogo avance. Pelo contrário: aumenta a curiosidade e fortalece o clima de transição. A política, como se sabe, lê imagens antes mesmo de ouvir palavras.
Omar se movimenta e o Planalto observa
Enquanto o governo estadual administra o tempo, o senador Omar Aziz não esconde que está em campo. De olho na corrida pelo Governo do Amazonas em 2026, Aziz intensificou a agenda em Brasília e tratou de reforçar pontes com o núcleo político do presidente Lula. A reunião com a secretária de Articulação Federativa, Roberta Martins, e aliados do PT não foi casual. Trata-se de um gesto claro de alinhamento e de construção de ambiente favorável. Em ano pré-eleitoral, agenda nunca é apenas agenda: é recado.
Braga colhe os frutos da Reforma
No campo econômico, o senador Eduardo Braga começa 2026 com discurso afinado com o trabalhador. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil não caiu do céu. É resultado de articulação política iniciada lá atrás e que agora se materializa como alívio direto no bolso da população. Soma-se a isso a redução do custo da cesta básica, impulsionada pela Reforma Tributária. Em tempos de inflação sensível, quem entrega resultado ganha capital político — simples assim.
Consulta pública e o discurso da participação
Na Prefeitura de Manaus, o prefeito em exercício Renato Junior lançou a plataforma da Consulta Pública on-line 2026. A ferramenta, que permite ao cidadão votar em prioridades do orçamento municipal, reforça o discurso de planejamento participativo. Na prática, a iniciativa também cumpre um papel estratégico: aproxima a gestão do debate sobre recursos, LDO, PPA e LOA, transferindo parte da responsabilidade das escolhas para a sociedade. Transparência e participação, quando bem usadas, rendem dividendos políticos.
STF tenta exibir unidade em meio à tensão
Em Brasília, o Supremo Tribunal Federal retoma os trabalhos sob clima de desgaste e divisões internas. A tentativa do presidente Edson Fachin de reunir quase todos os ministros na sessão solene é um gesto simbólico de unidade, após semanas de críticas à imagem da Corte. A ausência física de Luiz Fux, por motivos de saúde, não muda o pano de fundo: 2026 será um ano de embates com o Congresso e de pressão institucional ampliada pelo calendário eleitoral.
Câmara pisa no freio até o Carnaval
Sob o comando de Hugo Motta, a Câmara dos Deputados inicia o ano legislativo prometendo uma pauta mais leve. A estratégia é clara: reduzir atritos após um 2025 desgastante e ganhar fôlego político. Ainda assim, a Medida Provisória que cria o programa Gás do Povo, prioridade do Planalto, entra na fila. Mesmo com discurso de moderação, o governo Lula não deixará pautas sensíveis ficarem na gaveta.
Carnaval com regra e sem improviso
Às vésperas do Carnaval, o alerta do Tribunal de Justiça do Amazonas é direto: evento sem alvará não pode receber crianças. A decisão do Juizado da Infância e da Juventude Infracional reforça que festa não pode ser sinônimo de descuido. A portaria é clara, as regras estão postas e o recado foi dado. Quem insistir no improviso corre o risco de responder judicialmente.
Solidariedade que vira política do bem
Longe das disputas eleitorais, mas perto de quem mais precisa, o Grupo de Apoio à Criança com Câncer do Amazonas e a rede Super Nova renovam a campanha “Desapego Solidário”. Em tempos de polarização, ações como essa lembram que política pública também se constrói com empatia, parceria e responsabilidade social. Solidariedade, quando organizada, também transforma realidades.







