Daniel Vorcaro, dono do Banco Master - Reprodução

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal nas comunicações de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com sua companheira Martha Graeff indicam que o empresário recebia informações confidenciais, mantinha contatos com autoridades de alto escalão e acompanhava de perto movimentações políticas e do setor financeiro.

Vorcaro foi preso pela segunda vez na última quarta-feira (4), por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação foi deflagrada após a Polícia Federal apontar indícios de participação do empresário em esquema de ameaças, monitoramento ilegal e outros crimes. A CNN Brasil teve acesso ao conteúdo das conversas.

Rede de monitoramento e acesso a informações privilegiadas

Em 2024, um contato não identificado teria enviado mensagem a Vorcaro com informações sobre o “inquérito 56/2024” e operações fraudulentas ligadas a um fundo internacional de petróleo. De acordo com a PF, o grupo contratado pelo empresário acessava dados da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais como o FBI e a Interpol, mediante uso de credenciais de terceiros e com apoio de um policial federal aposentado.

Relatos sobre contatos com autoridades

Em abril de 2024, Vorcaro descreveu em mensagem à companheira sua participação como palestrante em evento patrocinado pelo Banco Master em Londres, na presença de ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O empresário mencionou a presença dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

“Eu sou muito louco. Essa realidade. Todos os ministros do Brasil. Do STF, STJ etc. E euzinho discursando”, teria escrito o empresário, acompanhado de emoji de gargalhada.

Relato de suposta “extorsão em Brasília”

Ainda em abril de 2024, Vorcaro relatou à namorada que estaria sofrendo o que descreveu como “uma extorsão bem chata” na capital federal, sem identificar os envolvidos. “Difícil me abalar e jogar para baixo. Mas essa foi foda”, teria concluído.

Críticas ao ex-presidente Bolsonaro

Em julho de 2024, após reportagem do jornal O Globo sobre demissões na Caixa Econômica Federal relacionadas a uma operação de R$ 500 milhões envolvendo títulos do Banco Master, Vorcaro teria reagido a uma publicação do ex-presidente Jair Bolsonaro na rede social X, chamando-o de “idiota”.

Encontro com o presidente Lula

Em dezembro de 2024, o empresário relatou à companheira que uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia sido “ótima” e “muito forte”. Segundo as mensagens, Lula teria convocado Gabriel Galípolo para participar do encontro — Galípolo assumiria a presidência do Banco Central meses depois. Vorcaro mencionou ainda a presença de três ministros, sem identificá-los.

Tensão com o setor bancário após operação com o BRB

Em março de 2025, após o BRB aprovar a aquisição de 58% das ações do Banco Master, Vorcaro descreveu à companheira um clima de tensão com o setor bancário. “Amor, tá bem tenso, a turma dos bancos está furiosa e ontem plantaram várias notícias. Vai ser uma semana de retaliação contra mim”, teria escrito.

Mensagem de João Doria

O relatório da PF inclui troca de mensagens entre Vorcaro e o ex-governador de São Paulo João Doria, em que este afirma ter “escutado coisas” e se diz “preocupado” com o empresário. A assessoria de Doria informou que a mensagem foi enviada em maio de 2025 e consistia em um gesto de natureza cordial.

Proposta atribuída ao dono do BTG

Segundo relatos de Vorcaro à companheira, no início de abril de 2025, André Esteves, controlador do BTG Pactual, teria tentado dissuadi-lo da operação com o BRB, afirmando que o Master deveria “agradecer a Deus” pela proposta apresentada. Nas mensagens, Vorcaro e Martha Graeff se referem ao banqueiro com termos como “ardiloso”, “pateta” e “cínico”.

Encontros com pessoa identificada como “alexandre moraes”

A PF identificou mensagens em que Vorcaro relata dois encontros com alguém identificado como “alexandre moraes”, em abril de 2025. Os diálogos não permitem concluir se a referência é ao ministro do STF Alexandre de Moraes. A CNN Brasil buscou contato com o gabinete do ministro, mas não obteve resposta até o momento da publicação.

Com informações de CNN Brasil

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