
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (20/10), por meio de uma publicação na rede social X. O argentino reagiu a declarações de Lula sobre o fim da escala de trabalho 6×1, chamou políticos progressistas de “delinquentes” e insinuou, sem apresentar provas, que poderia haver uma tentativa de fraude nas eleições presidenciais brasileiras.
Na publicação, Milei compartilhou um trecho de uma entrevista em que Lula defende a redução da jornada de trabalho e comenta a sobrecarga de tarefas domésticas enfrentada pelas mulheres.
O presidente brasileiro argumentou que, para muitas trabalhadoras, o único dia de descanso da semana acaba sendo dedicado à limpeza e à organização da casa.
Ao comentar a declaração, Milei utilizou a expressão espanhola “machirulos”, associada a comportamentos machistas, para criticar setores progressistas. O argentino também afirmou esperar que a reta final da campanha não envolvesse uma tentativa de manipulação do resultado eleitoral.
Declarações ocorrem às vésperas do segundo turno
As críticas acontecem na última semana da campanha presidencial brasileira. Lula disputa o segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcado para domingo (25/10).
Milei já declarou apoio à candidatura de Flávio e tem utilizado as redes sociais para criticar o presidente brasileiro.
No domingo (18/10), Lula mencionou a política econômica argentina durante o debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes. Ao questionar propostas de redução de gastos defendidas pelo adversário, o petista fez referência à motosserra, símbolo utilizado por Milei para representar sua política de austeridade.
Após o debate, o presidente argentino compartilhou uma montagem com caricaturas de líderes políticos latino-americanos, incluindo Lula, acompanhada da frase “Esquerdistas choram”.
Histórico de críticas provoca tensões diplomáticas
Os ataques de Milei ao presidente brasileiro não são recentes. Em agosto, o argentino chamou Lula de “ladrão” e manifestou apoio ao avanço eleitoral de Flávio Bolsonaro.
As declarações públicas também têm provocado atritos diplomáticos entre Brasil e Argentina. Em uma ocasião anterior, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro convocou o embaixador argentino para prestar esclarecimentos sobre manifestações de Milei contra Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Apesar das divergências políticas entre os presidentes, Brasil e Argentina mantêm relações diplomáticas e comerciais relevantes, inclusive no âmbito do Mercosul.







