O escritor e compositor Tadeu Garcia, um dos nomes mais emblemáticos da história musical do Boi-Bumbá Garantido, morreu neste sábado (7), em São Paulo, aos 68 anos. O artista lutava contra um câncer agressivo diagnosticado em estágio avançado, segundo informações divulgadas por pessoas próximas.

Natural de Parintins, Tadeu era reconhecido por sua contribuição à construção da identidade musical do boi vermelho e branco no Festival Folclórico de Parintins, principal evento cultural do Amazonas. Ao longo da trajetória no bumbá encarnado, destacou-se principalmente na criação das chamadas toadas de evolução, com cerca de 18 composições produzidas ao longo de sua carreira.

Nas redes sociais, o Boi Garantido lamentou a morte do artista e destacou a importância de sua obra para a cultura parintinense. Em nota, o bumbá afirmou que Tadeu Garcia era dono de “uma sensibilidade única e de um talento extraordinário”.

Carinhosamente chamado de “Mestre das Evoluções”, título que recebeu pela habilidade em compor músicas para os momentos de evolução do boi na arena do Bumbódromo, Tadeu marcou gerações de torcedores e artistas ligados ao Garantido.

“Ele foi, sem dúvidas, um dos compositores que mais chegaram perto de explicar, em forma de poesia, um amor que, por natureza, é inexplicável: o amor pelo Boi Garantido. Dedicou sua vida à arte, à cultura popular parintinense e ao amor incondicional pelo Boi do Povão”, destacou o bumbá em trecho da homenagem.

Entre as composições mais conhecidas do artista estão “Marca da Ausência” (1997), “Tempos de Cabanagem” (1998) — em parceria com Paulinho Du Sagrado —, “Luzes Rubras” (2001), “Alma de Guerreiro” (2002), “Sublimação” (2004) e “Canto do Sonho-Fantasia” (2009).

Tadeu também ficou marcado pela histórica sequência de toadas de Evolução, iniciada em 1995 e que atravessou diferentes edições do festival ao longo das décadas. A série chegará à Décima Nona Evolução, prevista para integrar o álbum do Garantido para o Festival de Parintins de 2026.

Além da carreira musical, Garcia também se dedicou à produção intelectual e à pesquisa sobre a cultura amazônica. Engenheiro agrônomo e analista ambiental aposentado, reuniu parte de sua obra no livro-CD “Entoadas”, lançado no final da década de 1990, com uma coletânea de suas principais composições.

Em entrevistas e participações públicas, o compositor defendia que a toada deveria ultrapassar os limites da disputa entre os bois e dialogar diretamente com o povo, mantendo viva a essência festiva da cultura popular de Parintins.

A morte do artista provoca forte comoção entre torcedores, compositores e integrantes do Garantido, que reconhecem sua contribuição para a valorização da cultura amazônica e para a história do boi do Povão.

Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre velório e sepultamento.

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