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Faleceu neste domingo (1º/2), aos 88 anos, Rita Süssmuth, ex-presidente do Bundestag (câmara baixa do parlamento alemão) e uma das figuras mais influentes da União Democrata Cristã (CDU). Reconhecida por sua postura progressista dentro de uma legenda conservadora, Süssmuth foi uma peça-chave na luta pelos direitos das mulheres e na modernização das políticas de saúde pública na Alemanha.

O atual chanceler federal, Friedrich Merz, prestou homenagem à política, descrevendo-a como um “modelo na igualdade de gênero e na ampliação da influência política das mulheres”, destacando seu papel na luta por uma sociedade mais aberta e tolerante durante as décadas de 1980 e 1990.

Pioneirismo nos Direitos das Mulheres e Saúde Pública

Süssmuth, que atuou como Ministra da Juventude, Família e Saúde (e posteriormente da Mulher) a partir de 1985, foi fundamental para avanços legislativos históricos:

  • Criminalização do Estupro Marital: Teve papel decisivo na mudança da lei que tornou crime o estupro dentro do casamento, enfrentando resistência de setores que consideravam o tema uma questão privada.
  • Combate à AIDS: Adotou uma abordagem pragmática e humanitária, priorizando a educação e a assistência médica em vez da repressão. Em 1987, fundou a Fundação Alemã de Aids.
  • Política de Drogas: Defendia a tolerância e tratamento para dependentes químicos, reservando o rigor da lei para os traficantes.

Conflitos Internos e Independência Política

Apesar de integrar a CDU, Süssmuth não temeu confrontos com a ala mais conservadora do partido, incluindo o então chanceler Helmut Kohl.

  • Oposição a Kohl: Em 1989, ela fez parte de um grupo que tentou, sem sucesso, destituir Kohl da liderança do partido. Embora os “conspiradores” tenham sido isolados, Süssmuth manteve sua relevância política, presidindo o Bundestag até o fim da era Kohl, em 1998.
  • Reformas Aceleradas: Kohl, que inicialmente a promoveu para modernizar a imagem do partido, passou a ver com desconfiança o ritmo acelerado das reformas sociais impulsionadas por ela.

Legado “Sem Arrependimentos”

Rita Süssmuth também liderou a transição do Parlamento de Bonn para Berlim e, mesmo após a saída da CDU do governo, aceitou presidir a Comissão de Imigração sob o governo de Gerhard Schröder (SPD), demonstrando seu compromisso com políticas de Estado acima de disputas partidárias.

Em uma de suas reflexões sobre a vida pública, Süssmuth afirmou não se arrepender de sua trajetória, apesar das dificuldades e da solidão política que por vezes enfrentou:

“Muitas vezes me senti uma estranha, mas também recebi apoio (…) Podemos mudar algo – não o mundo, mas mentes e ações”, declarou a ex-presidente.

Com informações de Metrópoles

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