
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) identificou indícios de que a estratégia de comunicação da plataforma de apostas on-line Blaze, associada à divulgação feita por influenciadores digitais, utiliza mecanismos de manipulação psicológica para ampliar a frequência e o volume de apostas dos consumidores.
As alegações fazem parte de uma ação civil pública apresentada contra a influenciadora Virginia Fonseca na quarta-feira (8/7). Segundo o órgão, a estrutura de comunicação adotada pela empresa não apenas acompanha a publicidade realizada por personalidades conhecidas, mas também reforça e potencializa técnicas de persuasão capazes de influenciar decisões dos usuários.
Durante a apuração, campanhas publicitárias encaminhadas por e-mail foram analisadas e teriam revelado a presença dos chamados “dark patterns”, expressão utilizada para definir recursos de design e comunicação estruturados para conduzir consumidores a determinadas escolhas. O MPDFT também aponta o emprego de técnicas relacionadas à psicologia comportamental.
Entre os mecanismos mencionados estão o modelo dual de processamento cognitivo, o efeito dotação, o princípio da escassez, a fluência de processamento e a sobrecarga cognitiva. Na avaliação do Ministério Público, esses recursos podem ser combinados para estimular decisões impulsivas, aumentar o engajamento e incentivar a continuidade das apostas.
O órgão sustenta ainda que a atuação publicitária dos influenciadores investigados não pode ser tratada apenas como falha pontual ou descuido. Na ação, o modelo é descrito como uma “engenharia predatória”, supostamente estruturada para explorar vulnerabilidades cognitivas e psicológicas dos consumidores.
MPDFT busca contratos com famosos
Para aprofundar a investigação sobre o marketing da plataforma e a divulgação de apostas como possibilidade de “renda extra”, a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon), vinculada ao MPDFT, solicitou acesso aos contratos comerciais firmados entre a Blaze e personalidades que promoveram o serviço.
Entre os nomes citados estão Virginia Fonseca, Lucas Lira, Bruna Sunaika e Neymar Jr. O Ministério Público pretende examinar os termos dos acordos para verificar a existência de metas de desempenho, bonificações, incentivos financeiros ou outras cláusulas relacionadas à atração de novos usuários e ao crescimento da atividade de apostas.
A investigação busca esclarecer se os contratos estabeleciam condições capazes de estimular a produção de conteúdos direcionados ao aumento da frequência das apostas, à permanência dos consumidores na plataforma e à captação de novos apostadores.







